Evento histórico registra o início do projeto Rio Tanque, fundamental para o futuro de Itabira
Fotos: Carlos Cruz
Nesta quinta-feira (20), autoridades municipais e representantes da Vale participaram do lançamento da pedra fundamental do projeto Rio Tanque, realizado no ex-Centro de Educação Ambiental da mineradora, no complexo Cauê, celebrando o início das obras que devem ser concluídas em até três anos, segundo nota divulgada pela mineradora.
Ou seja, a água do rio Tanque só deve jorrar nas torneiras das residências itabiranas somente a partir de 2027. Enquanto isso, por força de compromisso com o MPMG, até a entrega do novoi sistema de captação e tratamento, a Vale terá de manter o reforço ao sistema de abastecimento na cidade, com o fornecimento de 160 litros por segundo de água, distribuída pela Alça Hidráulica e também pelas ETAS Areão e Rio de Peixe.

Para o prefeito Marco Antônio Lage (PSB), o projeto Rio Tanque é de grande significado para a qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável de Itabira, para que enfim o município possa buscar a urgente e necessária diversificação de sua economia, altamente dependente da mineração.
“Este é um evento histórico para Itabira. A captação de água do Rio Tanque, tecnicamente a solução mais viável, mais importante para a questão hídrica de Itabira, é o início de um novo tempo, uma fase importante da construção do futuro de Itabira”, afirmou Lage.
Ele destacou ainda a necessidade de olhar para o futuro, preparando o município para a transição econômica após quase um século de mineração em larga escala em seu território. “Nós estamos falando de uma preparação para a transição econômica, para o avanço da construção de uma nova economia diversificada, que é hoje a principal pauta de nossa cidade, além das pautas sociais igualmente importantes”, acentuou.
Marco Antônio Lage também recordou os desafios enfrentados pela cidade durante a pandemia de Covid-19, ressaltando como a escassez de água impactou a população em um momento crítico. “Assumimos em meio à Covid, quando o principal remédio para combater a pandemia era lavar as mãos. No auge, no pior momento da Covid no mundo, Itabira viveu um drama a mais porque não tinha água suficiente na cidade”, recordou.
Na busca do desenvolvimento sustentável, o prefeito destacou também a necessidade de o município investir em energias renováveis para reduzir os custos e garantir a sustentabilidade do sistema hídrico.
Otimismo
O prefeito é otimista e projeta um tempo de conclusão das obras em um horizonte mais curto que a mineradora Vale projeta. “Acho que daqui a um ano e meio, dois anos, nós teremos água potável do rio Tanque nas torneiras de todas as famílias de Itabira, que é um sonho de mais de 20 anos”, projetou.
O otimismo de Lage advém também da fé inquebrantável no projeto Itabira Sustentável. “Estamos construindo um modelo de relacionamento com a Vale que é inédito, a construção a quatro mãos: as mãos da Vale, da Prefeitura e da sociedade civil organizada.”
Marco Antônio disse ser também preciso investir na reabilitação de matas ciliares e nascentes do rio Tanque. A necessária ação ambiental deveria, inclusive, ter constado da licença ambiental concedida pelo órgão estadual para a execução das obras do projeto Rio Tanque.
Ele elencou também ações previstas para o saneamento básico e o impacto social e ambiental do projeto. “Temos o compromisso de ampliar o acesso ao esgoto tratado em todo o município, assim como de preservar as nascentes do rio Tanque, que é para garantir a durabilidade do novo sistema hídrico em tempos de mudanças climáticas”, reforçou.
Vale diz ter compromisso renovado com o futuro de Itabira

Durante a cerimônia, o diretor do Complexo Operacional da Vale em Itabira, Diogo Monteiro, reafirmou o papel da mineradora no desenvolvimento sustentável do município ao celebrar o início das obras do projeto Rio Tanque.
“É um grande prazer estarmos aqui para mais uma vez reafirmar o nosso compromisso com o município. Hoje registramos esse marco importante com o início do projeto Rio Tanque”, acentuou Monteiro, destacando os aspectos técnicos e sociais do projeto.
Segundo ele, trata-se de um sistema que foi idealizado como uma solução sustentável e eficiente. “O projeto contempla a construção de uma adutora e de uma estação de tratamento de água, sendo uma solução sustentável para a cidade por atender as necessidades da população urbana, como também para as necessidades de futuras atividades econômicas.”
Monteiro enfatizou também o impacto positivo do projeto na gestão hídrica e na qualidade de vida da população itabirana. “O empreendimento é um importante legado para Itabira, possibilitando o crescimento e o desenvolvimento sustentável da região”.
Benefícios diretos e geração de empregos
Outro aspecto enfatizado por Diogo Monteiro foi o impacto do projeto na economia local durante sua fase de implantação.
Segundo ele, “a implantação do projeto vai gerar cerca de 1.200 empregos no pico das obras, com prioridade de contratação de mão de obra local”. Ele também pontuou que todas as atividades serão conduzidas com foco em responsabilidade ambiental e social, integrando a comunidade no processo de execução.
Monteiro finalizou seu pronunciamento reforçando a visão da Vale em construir um futuro sustentável para Itabira. “Nós, como parte da comunidade de Itabira, estamos juntos construindo um futuro sustentável para o município. Estamos fazendo história.”
Prioridade nas necessidades humanas

A promotora Giuliana Talamoni Fonoff destacou o simbolismo e a importância histórica do momento para a cidade. Ela relembrou o papel imprescindível desempenhado pelo MPMG na idealização e negociação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que viabilizou o projeto.
“É com grande satisfação que iniciamos agora este projeto tão significativo para a nossa cidade, com o lançamento da pedra fundamental do projeto Rio Tanque, um passo crucial para o bem-estar de nossa comunidade. Como promotora de justiça, tive a honra de idealizar, negociar e assinar o termo de compromisso que previu o projeto de captação de água do Rio Tanque”, afirmou a promotora.
Giuliana relembrou os quatro anos de trabalho conjunto entre o Ministério Público, a Vale, o Saae e a Aecom, empresa de consultoria, para garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas no acordo.
Ela também destacou a realização de reuniões mensais para discussão de questões técnicas como um marco de compromisso e transparência no desenvolvimento do projeto. “Há mais de quatro anos que todos nós trabalhamos para o cumprimento desse acordo”, disse ela, agradecendo todas as equipes envolvidas no projeto.
Recurso essencial para o bem-estar e o progresso
Segundo a promotora, “a implementação do sistema de captação de água do Rio Tanque é um compromisso da Vale que contribuirá para a melhoria da qualidade de vida da população e também para a economia do município.”
Fonoff expressou otimismo em relação ao cumprimento do cronograma e à inauguração do projeto dentro do prazo estipulado. “Tenho certeza que estaremos daqui a dois anos, um ano e meio, inaugurando o projeto como um todo. Não vai ter obra parada, não”, afirmou com convicção.
Ela concluiu destacando o caráter simbólico da cerimônia: “Que essa pedra fundamental simbolize não apenas o início de uma obra, mas também a união de esforços em prol de um futuro mais sustentável e saudável para todos nós.”
Pontapé inicial

Na solenidade, o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, e representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Vale, André Viana Madeira, também comemorou o início das obras, mas fez reflexões sobre os desafios e a trajetória de desafios de Itabira no contexto da mineração.
“Nós estamos celebrando hoje uma data importante, que é o pontapé inicial, de fato, das obras do projeto de captação de água do Rio Tanque. Celebramos, comemoramos, mas deixamos uma frase: antes tarde do que mais tarde ainda”, afirmou André.
Para ele, o projeto Rio Tanque tem caráter simbólico. “Itabira deu berço à Vale, e hoje Itabira precisa de colo”, enfatizou o sindicalista, para quem o projeto não é um favor ou benesse da Vale, mas uma forma de reparação histórica pela exploração mineral na região e seus impactos.
Ele relembrou o rebaixamento do aquífero de Cauê e os prejuízos causados à disponibilidade de água e à economia local ao longo das décadas. “Houve uma dinâmica que prejudicou o acesso à água e fez com que empresas deixassem de investir no município, dificultando a diversificação econômica.”
Para ele, o projeto Rio Tanque é um marco de transformação, mas que deve vir acompanhado de outros avanços. “É emblemático ver um rio salvando uma cidade. Mas não é só a sede de água que temos. Além da água, Itabira precisa de outros benefícios para resgatar também a dignidade de uma cidade histórica”, disse ele, ressaltando a importância de a mineradora Vale participar da duplicação da rodovia estadual que liga Itabira à BR262/381, uma antiga reivindicação de Itabira.
Apelo à união de esforços
Encerrando o seu pronunciamento, André Viana fez um apelo emocionado para que a comunidade, autoridades e a Vale se unam na conclusão das obras e na construção de um futuro próspero para Itabira.
Ele acentuou o papel histórico de Itabira para o crescimento de desenvolvimento da empresa mineradora que nasceu estatal, hoje uma multinacional. “Não foi a Vale que levou o nome de Itabira para o mundo, foi Itabira que levou o nome da Vale para o mundo combater o nazismo de Hitler.”
Segundo André Viana, o Rio Tanque deve simbolizar não apenas uma solução hídrica, mas um novo capítulo para Itabira: “Esperamos que desse rio venha a fluir não só água, mas tudo aquilo que precisa ser reparado para a nossa cidade e o nosso povo.”
Demorou
Então tá
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