Djonga é a grande atração deste sábado (25) no Festival de Inverno de Itabira, na praça do Areão

Djonga: “Quanto mais eu como, mais fome eu sinto.”

Foto: Divulgação
Ascom/FCCDA

Programação se encerra no domingo (26) com atividades lúdicas para crianças e famílias na praça do Areão

O 52º Festival de Inverno de Itabira chega ao seu último fim de semana com um dos shows mais aguardados da edição. Neste sábado (25), às 22h, o rapper Djonga sobe ao palco instalado na praça do Areão.

Ícone do rap brasileiro, o artista mineiro transforma sua música em reflexão sobre questões sociais, raciais e políticas.

Dono de álbuns consagrados e milhões de reproduções nas plataformas digitais, Djonga encerra a noite em apresentação que promete lotar a praça.

Antes dele, às 20h30, o rapper itabirano Thiago SKP faz o lançamento de seu novo álbum AURA, com repertório autoral que mistura rap, R&B, soul e MPB.

O projeto traz dez faixas inéditas e participações de artistas da cena nacional, consolidando SKP como uma das principais vozes do rap mineiro contemporâneo.

Thiago SKP lança o álbum AURA neste sábado (25), às 20h30, na praça do Areão, antes do show de Djonga (Foto: Divulgação)
Identidade e performance

A programação deste sábado começou cedo, às 10h, na avenida João Pinheiro, com a performance Eumano, do coletivo Viravoltear, transformando o espaço urbano em palco para reflexões sobre cotidiano e relações humanas.

Às 19h30, na praça do Areão, o coletivo Pretos no Topo apresenta desfile-performance em parceria com a Diretoria de Promoção da Igualdade Racial, unindo moda, fotografia e artes visuais em celebração da cultura negra.

Sexta-feira no Paredão da Tiradentes
Renata Araújo no Paredão da Tiradentes, em apresentação vibrante e cheia de energia, antes que São Pedro atrapalhasse a festa com a chuva de inverno em Itabira (Foto: Reprodução/Prosa Musical)

Nesta sexta-feira (24) o tradicional Paredão da Tiradentes recebeu a cantora Renata Araújo, que  que apresentou repertório consistente, vibrante.

Acompanhada por banda com arranjos criativos e versáteis com forte presença de palco, a artista itabirana apresentou releituras de clássicos do pop rock .

Com energia e qualidade musical, conquistou merecidos aplausos do público, antes de sua dispersão por debaixo de marquises, escondendo-se da chuva torrencial que caiu em Itabira nesta noite de inverno.

Foi o que prejudicou o espetáculo Laura Catarina canta Vander Lee, com a filha do compositor mineiro, falecido precocemente em 2016 aos 50 anos, apresentando a obra do pai em um encontro de memória, afeto e música.

Isso até que São Pedro não ajudou. Em tempos de mudanças climáticas, a organização do festival se viu obrigada a encerrar a apresentação antes do fim, devido aos riscos com o aumento da chuva que caiu torrencialmente em Itabira nesta noite de inverno.

Encerramento no domingo

Neste domingo (26), o festival se despede com programação voltada para o público infantil, com atividades lúdicas, recreativas e comunitárias na praça do Areão.

Em parceira com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, o festival disponibiliza brinquedos infláveis, cama elástica e piscina de bolinhas.

O festival celebra assim, de forma leve e participativa, o fim de duas semanas de atividade cultural em Itabira.

Querelas, um convite à reflexão antes que venha a derrota incomparável
O maior trem do mundo/Leva minha terra/Para a Alemanha/Leva minha terra/ Para o Canadá/(..)/ O maior trem do mundo transporta a coisa mínima do mundo/ Meu coração itabirano/Lá vai o trem maior do mundo/Vai serpenteando, vai sumindo/E um dia, eu sei não voltará/ Pois nem terra nem coração existem mais. Carlos Drummond de Andrade (Arte: Divulgação/Genin)

Durante todo o festival a exposição Querelas, do consagrado artista plástico itabirano Luiz Eugênio “Genin” Quintão Guerra, segue em cartaz no Centro Cultural da FCCDA.

A mostra reúne aquarelas inéditas que dão continuidade à trajetória iniciada desde O Cometa, em que o artista provoca reflexões visuais sobre identidade e sobre os conflitos contemporâneos de uma cidade minerada já próxima da inexorável exaustão.

As obras expõem de forma sensível e contundente o processo lento, gradual e irreversível de esgotamento do território, transformando a arte em denúncia e em chamado à consciência coletiva.

Querelas é uma provocação que alerta para a urgência de se enfrentar os limites impostos pela mineração antes e até mesmo para que se consiga reverter e impedir a derrota incomparável.

Primeira charge de Genin, então Geninho, publicada na estreia de O Cometa Itabirano em dezembro de 1979, já ironizando o avanço da mineração e a ideia de “nivelar” a cidade, com humor crítico que se tornaria marca registrada de sua obra (Reprodução/O Cometa)
Balanço da programação cultural

Com a programação reunindo teatro, oficinas e shows musicais, o festival deste ano, embora mais raquítico, manteve a sua diversidade e propósito iniciado em julho de 1974, quando foi realizada a sua primeira edição.

No dia 17 de julho, a Orquestra de Câmara da FCCDA regida por Cláudio Lage apresentou releituras de clássicos do rock internacional e nacional acompanhada por banda e vocalista convidados, aproximando públicos diversos e mostrando a versatilidade dos músicos.

No dia 19, Mart’nália fez grande show musical na praça do Areão, reunindo público expressivo e trazendo o samba e a MPB para o festival.

No dia 20, na Casa de Drummond foi exibido o documentário Doida no Quintal de Inês Peixoto seguido de bate-papo e experimentação cênica aproximando o público da trajetória da atriz e diretora

No dia 21, a atriz Teuda Bara uma das fundadoras do Grupo Galpão, falecida recentemente, foi homenageada com ocupação artística e bate-papo lembrando sua trajetória no teatro mineiro e nacional

No dia 22, o Coral da FCCDA se apresentou na Casa do Brás, reafirmando sua trajetória consolidada e a importância da música coral na formação cultural da cidade

No dia 23, o Grupo Galpão realizou apresentação teatral na Concha Acústica Norberto Martins, no Pico do Amor. Foi um dos momentos mais marcantes desta edição ao levar teatro de alta qualidade ao público itabirano.

Oficinas formativas

As oficinas oferecidas durante o festival aproximaram diferentes públicos da criação artística e resgataram tradições locais mesmo em uma edição mais enxuta

No dia 15, foi realizada a oficina de bateria Música sem Academia, ministrada por Ronan Barbazul.

O músico itabirano apresentou técnicas práticas e acessíveis para iniciantes e interessados em percussão, mostrando como a música pode ser aprendida fora dos moldes tradicionais

No dia 16 aconteceu a oficina Instrumento de Mudança, ministrada por Fábio Barbosa, do Studio Manga.

A oficina  explorou a produção musical com base na cultura hip hop, incentivando a criatividade e a expressão por meio do ritmo e da poesia

Ao longo da semana outras oficinas de dança literatura e artes visuais também foram oferecidas, ampliando o alcance do festival.

Com elas, crianças, jovens e adultos experimentaram processos criativos em diferentes linguagens artísticas e participativas.

 

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