CMDPI denuncia barreiras de acessibilidade para pessoas com deficiência no transporte coletivo em Itabira

Foto: Jessica Estefani/
Ascom/CMI

Presidente do conselho levou à Câmara reivindicações por transporte adequado, inclusão no trabalho e melhorias nos espaços públicos; vereadores prometeram audiência pública e novos projetos de lei

Na sessão legislaltiva de terça-feira (7), o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Itabira, Heryck Alexandre Ferreira, ocupou a tribuna da Câmara para denunciar as barreiras de acessibilidade ainda presentes na cidade. E aproveitou para cobrar políticas públicas que garantam autonomia e inclusão.

Ele destacou que, apesar de avanços, a realidade de Itabira ainda impõe obstáculos. Entre eles, estão calçadas desniveladas, rampas inadequadas, falta de intérpretes de Libras e dificuldades no transporte público. “A acessibilidade física é a porta de entrada para todos os outros direitos”, afirmou.

Essas barreiras, Ferreira observou na própria Câmara Municipal, que passou por recente reforma e readequações. Foi quando ele relatou o caso de um cadeirante que precisou dar uma volta extensa para acessar o plenário da Câmara.

“A acessibilidade física é a porta de entrada para todos os outros direitos”, afirmou o presidente do CMDPDI, Heryck Alexandre Ferreira (Foto: Jessica Estefani/ Ascom/CMI)
Transporte coletivo sem cobradores

O presidente do CMDPI também criticou a sobrecarga dos motoristas da empresa Vita (ex-Cisne) após a dispensa dos cobradores, medida que tem deixado os motoristas estressados e impacientes.

É que sem o apoio dos antigos auxiliares, além de conduzir veículos em ruas de topografia difícil, os motoristas precisam também operar os elevadores para cadeirantes e atender passageiros com deficiência.

Essa sobrecarga, segundo Ferreira, tem resultado em situações de mau atendimento e até em riscos de segurança.

“Recentemente tivemos um acidente com um cadeirante no transporte público. Exigimos da empresa laudos de manutenção para que situações como essas não se repitam. Sem cobradores, os motoristas ficam sobrecarregados e acabam descarregando essa pressão justamente sobre quem tanto precisa do transporte coletivo, as pessoas com deficiência”, alertou.

Melhorias na acessibilidade 
Carlinhos “Sacolão” prometeu fazer adequações para facilitar o acesso à Câmara e pautar a falta de cobradores em audiência pública (Foto: Jessica Estefani/ Ascom/CMI)

O presidente da Câmara, Carlos Henrique “Sacolão” Silva Filho (Solidariedade) concordou com a crítica de que a própria sede do Legislativo ainda apresenta barreiras para pessoas com deficiência, mesmo após reformas recentes.

Ele citou como exemplo o acesso à tribuna, que não possui rampa adequada para cadeirantes. “Pode ter sido falta de percepção na última reforma, mas é algo que precisamos corrigir. Dar condição para todo mundo é obrigação. Ninguém é melhor que ninguém, todos têm direito de acessar os espaços públicos”, reconheceu, prometendo tomar providências para fazer as readequações.

Carlinhos “Sacolão” também reforçou as críticas ao transporte coletivo, principalment após a retirada dos cobradores, o que sobrecarregou os motoristas e piorou o atendimento aos passageiros.

“O motorista virou trocador, manobrista e ainda precisa lidar com elevadores que quase nunca funcionam. É pesado demais. Precisamos discutir até onde vai o direito do deficiente e a responsabilidade da empresa concessionária”, disse.

Ele anunciou que, a partir da iniciativa do vereador Reinaldo Lacerda (PSB), será realizada uma audiência pública sobre a qualidade do serviço prestado pela concessioná do transporte coletivo, com foco nas condições de mobilidade urbana.

Além disso, defendeu que a Câmara se comprometa a elaborar projetos de lei que incentivem empresas locais a contratar pessoas com deficiência.

“Só quem tem dentro de casa uma pessoa com deficiência sabe das dificuldades. Precisamos sair do discurso e agir. Esta Casa tem que se engajar na inclusão, criando leis que realmente mudem a vida das pessoas com deficiência”, concluiu.

Apoio legislativo

O vereador Reinaldo Lacerda lembrou que o município já fez repasses para subsidiar o transporte coletivo – e cobrou excelência no serviço.

“Não basta reduzir o custo da passagem. É preciso garantir manutenção dos veículos e condições dignas para motoristas e passageiros, especialmente os que dependem dos elevadores”, disse.

Ele também relatou casos de motoristas exaustos, que chegam a pedir ajuda de terceiros para manobrar os ônibus em ruas íngremes, colocando todos em riscos.

O vereador Cidnei “Didi do Caldo de Cana” Camilo Rabelo (PL) também destacou a precariedade dos acessos. E contou que tem recebido reclamações de usuários sobre a falta de paciência dos motoristas no atendimento às pessoas com deficiência.

“Vou continuar cobrando, documentando e mostrando em vídeos o que acontece. Não é questão de briga, é questão de garantir direitos”, afirmou.

Mercado de trabalho e inclusão

O presidente do CMDPI chamou atenção para a exclusão no mercado de trabalho.

Segundo ele, muitas vezes as pessoas com deficiência são contratadas apenas para cumprir cotas, sem valorização de suas competências.

“Temos faculdade, temos qualificação, mas não nos é permitido exercer plenamente nossas funções dentro da área que estudamos”, lamentou.

Ao final de seu pronunciamento, Heryck Alexandre agradeceu o espaço e convidou os parlamentares a participarem das reuniões do Conselho. “Sentimo-nos honrados em poder contribuir com projetos de lei e esperamos que nossas reivindicações se transformem

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