Câmara de Itabira debate inclusão de pessoas autistas com a Apae
Em destaque, a presidente da Apae, Solange de Souza, e a psicóloga France Jane, na Tribuna da Câmara
Foto: Jessica Estefani/ Ascom/CMI
Vereadores destacam papel da Apae e cobram políticas públicas efetivas de inclusão
A presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itabira, Solange Aparecida de Souza, e a psicóloga France Jane Elias Leandro, ocuparam a Tribuna da Câmara, na sessão dessa terça-feira (7), para reforçar a importância da conscientização, o respeito e a garantia de direitos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Solange abriu sua fala de forma breve e institucional, agradecendo pela oportunidade de falar em nome da Apae e das pessoas que recebem apoio da instituição. “Viemos a esta Casa com um propósito muito especial, que é dar voz a uma causa que precisa ser cada vez mais compreendida, respeitada e acolhida”.
Coube à psicóloga France Jane aprofundar no tema. Ela lembrou que “o autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento, uma forma diferente de perceber, sentir e interagir com o mundo”.
Com 24 anos de atuação na Apae e 18 dedicados diretamente ao atendimento de pessoas autistas e suas famílias, ela relatou um pouco de sua experiência. “Vi de perto as dificuldades, as incertezas e as batalhas diárias das famílias, mas também vi algo muito maior, que é a força, o amor e a dedicação incansável de pais e mães que nunca desistem de seus filhos”.
France Jane explicou que o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar o debate sobre inclusão, respeito e garantia de direitos.
“Esse dia nos convida a olhar com mais atenção para as pessoas e famílias que convivem diariamente com o transtorno do espectro autista”, disse.
Ela lembrou ainda da caminhada realizada pelas ruas de Itabira, que reuniu famílias, profissionais e apoiadores da causa. “Essa caminhada não foi apenas um percurso físico. Ela foi um ato de visibilidade e esperança”, afirmou.
Para France Jane, o 2 de abril não deve ser apenas uma data comemorativa, mas um chamado à ação. “Que esse dia sirva não apenas para celebrar, mas também para nos incomodar, para nos tirar da zona de conforto e nos obrigar a olhar com honestidade para aquilo que ainda não fizemos”.
Políticas de inclusão

Aberta a palavra, os vereadores reconheceram o trabalho da Apae e cobraram avanços na política de inclusão em Itabira.
O vereador Reinaldo Soares de Lacerda (PSB) destacou o papel da entidade e garantiu que a Câmara “estará sempre de portas abertas para apoiar a Apae e defender os direitos das pessoas especiais”.
Heraldo Rodrigues (Republicanos) reforçou que o Dia Mundial de Conscientização do Autismo deve provocar reflexão, concordando com o que disse a psicóloga da Apae. “É uma data que precisa nos incomodar enquanto sociedade e poder público, porque, por mais que se faça, ainda não é o suficiente. Precisamos aprender com a experiência de vocês para moldar nossas ações”.
O vereador Júlio ‘Contador’ César de Araújo (PRD) lembrou que hoje há diagnóstico e leis de proteção, mas alertou: “É preciso garantir que sejam implementadas e efetivadas, para que não fiquem apenas no papel”.
Ele recordou que, décadas atrás, muitas famílias recorriam a castigos por falta de informação. Segundo ele, o diagnóstico e a legislação representam avanços que precisam ser aplicados na prática.
Para o vereador Marcos Antônio Ferreira da Silva (Solidariedade), o Marquinhos da Saúde, muito pouco se faz para que a inclusão realmente ocorra. “Já passou da hora de construir políticas públicas para atender essas pessoas e dar apoio às famílias. Um discurso bonito não muda a vida de ninguém”, afirmou.
Ele lembrou que já apresentou projeto aprovado na Câmara para garantir vacinação domiciliar a crianças com TEA nível 3, como forma de facilitar o acesso a direitos básicos.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Bernardo Rosa (PSB), também citou projetos já apresentados e aprovados pela Câmara, a exemplo da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, além de medidas para reduzir impactos sensoriais nas escolas, como a diferenciação de sinais sonoros e a flexibilização do uso de uniformes.
“Infelizmente vivemos em um país punitivo. As pessoas só entendem quando mexe no bolso ou na liberdade. Precisamos de leis educadoras, que façam a sociedade respeitar e acolher”, acentuou.
O vereador Marcelino Freitas Guedes (PSB) salientou a importância da assistência oferecida pela Apae. “Vocês exercem um papel muito nobre. Se ninguém reconhecer, Deus reconhecerá. Podem contar com meu apoio”.
Compromissos da Câmara
O presidente da Câmara, Carlos “Sacolão” Henrique Silva Filho (Solidariedade) relatou a experiência próxima de um de seus assessores, pai de duas meninas autistas.
E anunciou que a Câmara, por meio da Escola do Legislativo, promoverá em breve um seminário para capacitar monitores nas escolas municipais e estaduais, em parceria com o Ministério Público, . “Esse será um ato da Câmara que marcará a história”, afirmou.
Segundo Carlinhos “Sacolão”, a proposta é oferecer formação prática e sensibilização, garantindo que professores e monitores estejam aptos a acolher e apoiar os alunos com TEA.
Ele lembrou ainda casos de famílias em situação de vulnerabilidade, como o de uma mãe que perdeu tudo em um incêndio por não ter com quem deixar o filho autista. E mencionou também outro episódio trágico em que uma mãe atípica morreu junto com o filho após ser abandonada pelo marido e pela família.
“Devemos unir forças para que fatos trágicos não se repitam. Esta Casa está à disposição de vocês, como sempre esteve. O Legislativo e o Executivo precisam caminhar juntos para dar respostas concretas às famílias”, disse.
O presidente destacou ainda que, em momentos de dificuldade da Apae, a Câmara já foi celere em oferecer apoio financeiro para garantir a continuidade das atividades assistenciais.
Agora, com o seminário, disse que “a intenção é dar um passo além, para transformar a conscientização em política pública estruturada, capaz de impactar diretamente a vida das famílias atípicas”.
A sessão reforçou o compromisso da Câmara de Itabira com a inclusão e o apoio às famílias atípicas, destacando a necessidade de transformar discursos em políticas públicas efetivas, permanentes e duradouras.









