Brasil perde Nana Caymmi, uma das vozes mais expressivas da música brasileira

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A música brasileira se despede de uma de suas intérpretes mais marcantes. Nana Caymmi faleceu aos 84 anos, deixando um legado de interpretações inesquecíveis e uma trajetória que atravessou gerações.

Filha do icônico compositor Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Nana nasceu em um ambiente musical e desde cedo demonstrou talento e sensibilidade artística. Sua estreia aconteceu em 1960, ao interpretar Acalanto, canção composta por seu pai em sua homenagem.

Ao longo de sua carreira, Nana construiu um repertório sofisticado, dando voz a composições de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento e Roberto Carlos. Sua interpretação intensa e emotiva fez dela uma referência na MPB, no samba-canção e no bolero.

Admiradora da soprano italiana Renata Tebaldi, Nana buscava no canto lírico inspiração para sua técnica apurada e para a dramaticidade que marcava seu trabalho.

Vida amorosa e desavenças políticas
Em 1967, após alguns meses de namoro, Nana Caymmi foi viver junto com o cantor e compositor Gilberto Gil e se separaram em 1969 (Foto: Reprodução/Instagram)

A vida pessoal de Nana também teve momentos marcantes. Nos anos 1960, ela viveu na Venezuela, onde se casou com o médico Gilberto Aponte Paoli e teve duas filhas, Stella e Denise. Essa experiência internacional contribuiu para sua conexão com a música latino-americana, refletida em álbuns como Bolero (1993) e Sangre de Mi Alma (2000).

Além desse casamento, Nana Caymmi viveu um relacionamento intenso com Gilberto Gil, entre 1967 e 1969. Da parceria nasceu a canção Bom Dia, apresentada no III Festival de Música Brasileira da Record.

Os dois se casaram em 1967, após a cantora retornar da Venezuela. No entanto, a relação foi breve e chegou ao fim em 1969, quando Gilberto Gil foi preso pela ditadura militar e, posteriormente, exilado na Inglaterra. Nana, que tinha duas filhas pequenas, não pôde acompanhá-lo.

Apesar da separação, os dois seguiram carreiras de sucesso na música brasileira. No entanto, nos últimos anos, divergências políticas acentuaram o distanciamento entre eles.

Em 2019, Nana Caymmi, que apoiava Jair Bolsonaro, fez declarações polêmicas contra Gilberto Gil e outros artistas da MPB que se posicionavam a favor de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista, Nana atacou Gil e seus colegas Caetano Veloso e Chico Buarque, proferindo declarações duras e controversas.

Gilberto Gil, por sua vez, preferiu não alimentar a polêmica e respondeu com diplomacia. Disse que, apesar das ofensas, os colegas da MPB não guardavam rancor e sempre tiveram “paciência e amor para com ela”.

Esse episódio marcou o rompimento definitivo entre os dois, que passaram de antigos parceiros musicais a desafetos públicos.

Nana também foi casada com os músicos João Donato (1972-1974) e Claudio Nucci (1979-1984), sempre mantendo relações marcadas pela mesma intensidade que levava para os palcos.

Sucesso inesperado

Nos anos 1990, Nana se reinventou. Em 1993, lançou o álbum Bolero, gravado, segundo ela, “morrendo de vergonha” em meio ao sucesso de jovens intérpretes do gênero, como Luis Miguel.

O disco, no entanto, tornou-se um sucesso inesperado, com quase 100 mil cópias vendidas. No ano seguinte, homenageou Dolores Duran com o disco A Noite do Meu Bem. Em 1999, alcançou o reconhecimento comercial com Resposta ao Tempo, que lhe rendeu seu primeiro disco de ouro, com 100 mil unidades vendidas.

Além dos álbuns de carreira, Nana Caymmi ficou conhecida também por suas interpretações em trilhas sonoras de novelas e séries da TV Globo. Um de seus maiores sucessos foi justamente Resposta ao Tempo, tema de abertura da minissérie Hilda Furacão, exibida em 1998.

Saúde debilitada

Nos últimos anos, Nana enfrentou problemas de saúde e passou por diversas internações devido a uma arritmia cardíaca, chegando a implantar um marca-passo. Sua morte foi causada por falência múltipla dos órgãos, após nove meses de internação na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro.

Seu legado é eterno e transcende qualquer controvérsia. Nana Caymmi será lembrada como uma das intérpretes mais profundas e emocionantes da música brasileira, capaz de transformar cada canção em uma experiência única. Sua voz e sua entrega seguirão encantando gerações, imortalizadas em cada nota que cantou.

Velório e sepultamento

O velório de Nana Caymmi será realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a partir das 8h30 desta sexta-feira (2). O sepultamento ocorrerá às 14h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Rio de Janeiro.

*Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, O Liberal e IstoÉ.

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