Brasil, Itália e Congo se encontram no EP “Stil Novo”

Arte: Danielle Oliveira/
Divulgação

Trabalho é segundo lançamento do Trio Migrazioni, de Milão; grupo, criado em 2024, integra projeto coordenado por dois artistas de João Monlevade (MG)

Uma africana que carrega histórias ocultas, a poesia refinada do ijexá, uma balada rural com timbres de harpa barroca. Esses são elementos que, com matrizes ancestrais e linguagem musical contemporânea, atravessam o EP “Stil Novo”, o primeiro do Trio Migrazioni.

O trabalho, com participação de convidados brasileiros, italianos e um congolês, será lançado no próximo dia 30 nos streamings. Confira o link de pré-save ao final da matéria.

O trio, no entanto, decidiu boicotar a mais popular das plataformas de áudio no Brasil, a Spotify, engrossando atitude de outros artistas.

O argumento é que o presidente executivo da plataforma, Daniel Ek, destina verbas para a indústria bélica enquanto remunera mal os músicos.

Migrações

O EP reúne três faixas: “Preta do Benim”, “Stil Novo” e “Lugar”, todas compostas pelo baiano Zecrinha em parceria com o letrista Wir Caetano, de João Monlevade (região Central de MG).

O grupo, criado em 2024, é formado pelo cantor monlevadense Toni Julio, Kal dos Santos (percussão e voz), de Salvador (BA), e por Davide Perduca (violão), de Milão, cidade onde vivem os três.

Em fevereiro do ano passado, lançaram o single “Kelelê”, parceria de Donat Munzila, da República Democrática do Congo, com Wir Caetano e seu conterrâneo Toni Julio.

O single e o EP integram o projeto “Migrações/Migrazioni”, coordenado pelos dois artistas monlevadenses e focado em culturas de matriz africana e experiências migratórias.

A arte da capa do EP do TRIO MIGRAZIONI é assinada por Danielle Oliveira

Benim, São Bartolomeu

“Preta do Benim”, faixa que abre o EP, é um samba atravessado por histórias da escravização e de ocultamentos.

O ocean drum (tambor oceânico) de Kal dos Santos sugere o som do Atlântico dos navios negreiros, em atmosfera sonora reforçada pelo violoncelo de Marlise Goidanich.

A letra cita lugares por onde transitaram os segredos da personagem, entre eles Belo Horizonte e São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, tratado no verso pelo apelido afetuoso “Bartô”.

A cantora convidada Clara Luna, ao lado dos integrantes do Trio Migrazioni — Toni Julio Kal dos Santos e Davide Perduca (Foto: Julye Jacomel)

Tempos e lugares

O ijexá “Stil Novo”, segunda faixa, começou a ser composto por Zecrinha, de Senhor do Bonfim (BA), há mais de 20 anos, inspirado em “Estácio, Holly Estácio”, de Luiz Melodia (1951-2017), seu amigo. O compositor baiano escreveu apenas alguns versos e um refrão.

Em 2019, ao conhecer Wir Caetano, que veio a se tornar seu parceiro regular, Zecrinha pediu ao mineiro para pensar uma letra para a canção inacabada.

O letrista misturou referências ao “dolce stil novo” (doce estilo novo) citado pelo poeta florentino Dante Alighieri (1265-1321) no clássico “A Divina Comédia” a estrofes que evocam a lírica de quadrinhas populares.

Para o EP, “Stil Novo” ganhou tratamento jazzístico, com solos de saxofone do italiano Daniele Comoglio e de teclado com o brasileiro César Moreno.

Já “Lugar”, que fecha o trabalho, reveste o clássico motivo lírico do “lugar ideal” com  o conceito de território  em que se cruzam as belezas locais e o desafio do pertencimento (“tanto faz se vem incêndio e ira”, diz um verso.

Nessa balada rural, Toni Júlio divide o vocal com a cantora ítalo-brasileira Clara Luna, enquanto a instrumentação incorpora a flauta transversal de Annabianca Buckley e o acordeon de Filippo Bisaschi, ambos italianos, e a harpa barroca da pernambucana Priscila Gama.

Link de pré-save: 

https://link.quae.com.br/TrioMigrazioni_StilNovo

Contato:

Wir Caetano – (31) 99509-4471

Instagram: @wirletrista

Pág. do projeto MIGRAÇÕES/MIGRAZIONI no Youtube:

https://youtube.com/@migracoesbrit

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