Bella Gonçalves deixa o PSOL para se filiar ao PT e deve sair candidata a deputada federal
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Mudança partidária reforça estratégia da esquerda em Minas Gerais, estado decisivo nas eleições nacionais
Uma das vozes mais combativas na defesa dos territórios minerados em Minas Gerais, a deputada estadual Bella Gonçalves deixa o PSOL e se filia ao Partido dos Trabalhadores. Com a mudança, ela passa a integrar a linha de frente da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, estado considerado decisivo nas disputas majoritárias nacionais.
A parlamentar deve disputar uma vaga de deputada federal. O anúncio será feito nesta quarta-feira (1º), em pronunciamento público em Belo Horizonte, ao lado de movimentos sociais e apoiadores. A coletiva está marcada para 9h30, no Prédio Carolina de Jesus, do MST, na Rua Sapucaí, bairro Floresta.
Bella afirma que sua decisão nasce de um convite direto do presidente. “Aceitei esse chamado porque acredito que a unidade da esquerda é fundamental neste momento histórico. Nossa missão é clara: reeleger Lula e construir um Congresso que esteja, de fato, ao lado da população”, declarou.
A deputada ressalta que o país vive uma encruzilhada. “Este ano é um dos mais importantes da nossa história. O mundo enfrenta uma nova onda de extrema direita e precisamos derrotar esse projeto para garantir soberania e dignidade ao povo brasileiro”, disse.
Para ela, a disputa não é apenas eleitoral, mas envolve “um projeto de país popular, capaz de enfrentar desigualdades e devolver esperança ao povo trabalhador”.
Trajetória de militância e luta popular
Com mais de 20 anos de atuação nos movimentos sociais e uma década na política partidária, Bella Gonçalves consolidou sua imagem como liderança popular.
Militante formada nas ocupações urbanas, esteve à frente de lutas por moradia, juventude, mulheres, população negra e LGBTQIA+.
Antes, como vereadora na Câmara Municipal de Belo Horizonte, e depois já como deputada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, defendeu pautas como Tarifa Zero no transporte público, combate ao feminicídio, proteção ambiental e dos territórios diante da mineração predatória, redução da jornada de trabalho e valorização do salário mínimo.
Bella relembra sua trajetória no PSOL, partido que ajudou a construir por dez anos, mas afirma que o momento pede união das esquerdas.
“Construímos o PSOL com muita luta e essa história segue viva em mim. Mas agora é hora de somar forças. Só com coragem e unidade vamos derrotar a extrema direita e garantir um Brasil mais justo e popular.”
Minas Gerais como espelho da disputa nacional
O estado de Minas Gerais é historicamente o fiel da balança das eleições presidenciais. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram também entre os mineiros.
O estado concentra cerca de 10% do eleitorado nacional. Por sua diversidade regional, funciona como espelho do país. Enquanto o norte do estado se aproxima do perfil nordestino, mais progressista, o sul reflete tendências dos estados sulistas, mais conservadores.
Essa heterogeneidade faz de Minas um microcosmo da disputa nacional e explica porque o resultado mineiro costuma antecipar o desfecho da eleição no Brasil.
Em 2014, Dilma Rousseff garantiu a vitória nacional com vantagem expressiva em Minas, onde obteve mais de 52% dos votos. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu no estado com 51%, consolidando sua eleição.
Já em 2022, Lula obteve 50,2% dos votos mineiros, diferença de pouco mais de 300 mil votos, resultado considerado decisivo para sua volta ao Planalto. A leitura política é recorrente: quem vence em Minas, vence no Brasil.
Bella Gonçalves reforça esse papel estratégico ao afirmar, peremptoriamente. “Minas é decisiva para a reeleição de Lula. É aqui que precisamos ampliar a presença da esquerda e mostrar que o povo mineiro quer um Brasil mais justo e popular.”
Em 2026, o desafio se repete. Garantir maioria de votos em Minas é visto como condição essencial para a vitória nacional e para derrotar as forças reacionárias da extrema direita.
Nesse contexto, a filiação de Bella Gonçalves ao PT fortalece a narrativa de unidade da esquerda e amplia a capacidade de mobilização junto a movimentos sociais e setores populares, considerados fundamentais para inclinar a balança mineira em favor da candidatura de Lula.









