Aluízio Fontes – há 98 anos
O Circo (1944), Djanira Santos (1914-1979), de Avaré-SP
Acervo MNBA
|Este pseudônimo faz parte de uma lista fornecida pelo próprio Drummond, abrangendo seus últimos anos de colaboração no antigo Diário de Minas. Assina o poema Circo. Compõe-se de 26 versos livres. Assina o poema “Circo”, no Diário de Minas, BH, 24-2-1928. Fernando Py|
Sociedade – Circo
Aluízio Fontes
O palhaço ri. O circo ri
gargalhadas frenéticas, e a luz
caindo de mil lâmpadas ardentes
Pinta de branco o riso do palhaço.
No enorme picadeiro
surge um vulto de mulher esguia
que se contorce, que se retorce
e se distorce.
E a multidão sofrendo
vê o equilibrista em perigos mortais
executando sereno
a dança da vida com a morte
pelas alturas.
E vê um clown barrigudo
um sorriso triste
e mulheres e mulheres
de vermelho de amarelo
girando pelo picadeiro
numa revoada de cores.
E a charanga envolve tudo aquilo
sonoramente.
E a gargalhada final,
a histeria dos nervos distendidos,
dos olhos, a loucura
dos sentidos… e a gargalha final.
[Fonte: Diário de Minas, BH, 24-2-1928 – Pesquisa: Cristina Silveira]









