Itabira se veste de outubro. Pela democracia

Tetê Procopio e colegas de trabalho recebem prêmio em festival cultural latino‑americano, em Lima, no Peru: Lula lá

Foto: Acervo Pessoal

Finalmente Itabira alcança a maturidade das cidades com mais de 100 mil habitantes. E se manifesta em festa nas ruas e na luta pelas liberdades democráticas

Marcelo Procopio*

Finalmente é exagero meu. já amadureceu culturalmente e politicamente nos anos 1970 com movimentos como um trio de ações – Livraria Quarup,  cineclube, grupos de teatros e de fotografia (a Fema), que direta e indiretamente deu em O Cometa Itabirano.

E, num outro exemplo, a paralização da Vale nos anos 1980, greve liderada pelo sindicalista Milton Bueno.

Mas quando insisto nos 100 mil habitantes é porque sempre foi um desejo, quase como uma instituição, a chegada desse número mágico.

Seríamos então uma cidade grande (sic e no sentido de ter deixado para trás a velha aldeia – como quis nos agredir no ano de 2000 um embaixador-presidente então da Vale. Mal sabia ele que era um elogio.

Se Itabira não ganhou contornos de rica nos seus melhores sentidos e com toda aquela Montanha de Ferro & ouro, cultuada como “a redenção” do Matto-Dentro, desde o nascer do século 20, talvez fosse melhor que a montanha fosse só uma montanha, e a cidade e suas utopias sossegariam na sua dignidade pequena, fria e cheia de pianos teclados na rua principal (hoje Água Santa e Tiradentes)

Lembram, insisto, Carlos Drummond de Andrade recebeu o primeiro Cometa em 1979 e na sua primeira carta à ‘turma’ , como ele dizia, lamentava: como pode uma cidade com mais de 100 mil habitantes não ter uma gráfica que pudesse rodar -imprimir- um jornal tão forte de política, ideias e humor?

Viram?!? A síndrome dos 100 mil grassava nos ares,  daqui até o Rio. Desde há muitas décadas.

Pois então, os retornos são poucos pelo minério cedido pela Montanha  de Itabira, levado que foi no maior trem do mundo.

Viramos Cidade Minerada pela Vale. Sim, Itabira quase só minerou o que era aluvião. Se é que se pode escrever assim.

Mas mineramos resistência e criou-se uma consciência. Tudo ainda nascente, já crescente, como os movimentos que vêm  se manifestando nas ruas de Itabira neste outubro. Hoje tem a vez do Metabase, já teve outras  antes.

Outubro é sinônimo de revolução. De transformação. Sem dar exemplos de outras ocorridas na história da humanidade, cito a música de Milton Nascimento e Fernando Brant: Outubro:

— vou fazer meu outubro de homem, matar com amor essa dor…

–(((na foto, Carlos Cruz, está a Maria Tetê Procopio e colegas de trabalho ao receber prêmio num festival cultural latino-americano, em Lima, no Peru. É uma festa de premiação. Repare que Maria e os outros estão com adesivo de Lula no peito. Os adesivos fizeram sucesso, e como foi uma festa que começou às 11h e terminou já noite, muitos brasileiros, argentinos e tais pediram a ela um adesivo. Como tinha poucos, saiu da festa, encontrou uma gráfica rápida e imprimiu mais 100 adesivos. Brasileiros e argentinos subiram ao palco para receber premiações “vestidos” de adesivos no peito e o L nos dedos. (MP).

*Marcelo Procopio é jornalista, editor de O Cometa

Posts Similares

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *