Praça Acrísio recebe o primeiro ato pró‑Lula da campanha no segundo turno em Itabira

Fotos: Carlos Cruz

Ato cultural reúne apoiadores locais e abre caminho para mobilizações maiores com lideranças políticas e sindicais na reta final do segundo turno

Itabira deu início, neste sábado (10), à sua participação na onda vermelha que se espalha pelo país na reta final do segundo turno da disputa presidencial.

O primeiro Ato de Mobilização – Itabira com Lula reuniu um bom número de participantes, na praça Acrísio de Alvarenga (praça Redonda, centro), em uma atividade cultural e comunitária que marcou o começo de uma série de mobilizações previstas para os próximos dias.

Dirigentes do diretório municipal do PT e representante do Sindi‑UTE fizeram pronunciamentos durante o ato, chamando atenção para o perigo que uma eventual vitória do candidato da extrema‑direita representa para o país.

Destacaram que esse cenário é uma ameaça de retrocesso nas políticas sociais, na proteção de direitos trabalhistas, na educação pública e na própria estabilidade democrática.

Os discursos seguiram reforçando a defesa das instituições, além da importância de preservar avanços sociais.

Feriado prolongado
Estudantes em defesa da democracia durante o ato na praça Acrísio, contra o avanço da extrema-direita no país  (Foto: Eduardo Cruz)

Mesmo em meio ao feriado prolongado, iniciado na sexta-feira, aniversário da cidade, e que se estende até segunda-feira, Dia de Nossa Senhora Aparecida, o ato contou com participação  de estudantes, professores, aposentados e moradores conscientes do risco do avanço da extrema direita e na possibilidade de retrocessos sociais e democráticos.

Entre os participantes, muitos nordestinos que estão temporariamente em Itabira a trabalho disseram não conseguir retornar às suas cidades de origem para votar no segundo turno, mas fizeram questão de comparecer ao ato. Segundo eles, “toda a família está fechada com Lula”, e participar das mobilizações em Itabira é forma de demonstrar apoio.

A onda vermelha que começa a avançar em Itabira começou no Rio de Janeiro, com forte presença estudantil em universidades como UFF, UFRJ e PUC‑Rio, além de atos espontâneos em Niterói e na zona sul da capital.

Em seguida, espalhou-se para capitais como Belo Horizonte, Salvador, Recife e Curitiba, e também para cidades médias, impulsionada por coletivos estudantis, grupos culturais e trabalhadores jovens.

O movimento, inicialmente universitário, ampliou-se para outros segmentos preocupados com a preservação de direitos e com a estabilidade democrática.

Estudantes que votam pela primeira vez marcam presença na praça Acrísio, defendendo a democracia e a diversidade no primeiro ato do segundo turno em Itabira
Lideranças políticas e sindicais articulam novos atos para os próximos dias

O ato deste sábado não contou com a presença de lideranças políticas e sindicais, à execção do SindiUTE, mas elas já se movimentam para organizar mobilizações maiores na reta final da campanha.

O sindicalista André Viana Madeira, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, não pôde participar por estar em viagem previamente agendada com a família. Ele retorna à cidade no dia 12 e, já no dia 13, inicia reuniões para organizar atos em Itabira e em toda a região.

“Eu estou nesta luta pela reeleição de Lula desde o início, montamos inclusive um comitê de apoio. Vamos entrar firme nesta mobilização. Dia 13 eu tenho reunião no sindicato e marquei outra com a CUT no Vale do Aço para reforçar a mobilização na região, com ações presenciais e também nas redes sociais”, afirmou.

O prefeito Marco Antônio Lage (PSB) também disse à reportagem que já está articulando a mobilização regional, tanto em Itabira quanto em cidades próximas.

“Fiz reunião ontem em Monlevade com grupos jovens e alguns prefeitos do Médio Piracicaba. Nós vamos ajudar na organização das próximas manifestações, principalmente nas redes sociais, mas sem deixar de ocupar as ruas. Vou procurar o André Viana para juntos contribuir para ampliar esse esforço de mobilização na reta final de campanha”, afirmou.

De centro‑esquerda, Marco Antônio Lage disse que pretende ampliar o diálogo com setores de centro e da direita não bolsonarista. Ele acredita que a defesa da democracia deve unir diferentes campos políticos neste momento decisivo.

Famílias e apoiadores de várias idades participam do ato pró-Lula deste sábado na praça Acrísio
Trabalhadores assalariados, profissionais de aplicativos e indecisos no foco das mobilizações

As próximas ações, tanto presenciais quanto nas redes sociais, devem dialogar especialmente com trabalhadores assalariados que acompanham a discussão sobre o projeto de lei que trata do fim da escala 6×1, defendido por Lula e que, se aprovado, beneficia um grande número de trabalhadores em todo o país

O PL está tramitando no Senado, e o candidato do PL à presidência, senador Flávio Bolsonaro, junto com seu grupo político, atua contra a implementação imediata da medida.

Eles articulam uma emenda para prorrogar o prazo de entrada em vigor, o que, na avaliação de apoiadores de Lula, desvia o objetivo central do projeto, que é alterar a escala de trabalho de forma rápida, conforme projeto já aprovado na Câmara dos Deputados.

Há também mobilização entre profissionais de aplicativos, que defendem a criação de um aplicativo público nacional, autônomo, capaz de reduzir a dependência das grandes plataformas privadas que concentram o mercado e fragilizam a categoria. O debate ocorre em paralelo ao projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos, atualmente em fase final na Câmara.

Jovem com a bandeira do orgulho trans durante o ato deste sábado na praça Acrísio: a diversidade marca presença no primeiro ato do segundo turno na cidade

Também neste projeto, o grupo político do candidato do PL defende um modelo com menos regulação, sem remuneração mínima obrigatória e sem contribuição previdenciária das plataformas, uma posição que contrasta com a proposta defendida por coletivos de entregadores e motoristas.

Além desses segmentos, apoiadores de Lula em Itabira pretendem dialogar com indecisos, com eleitores que votaram nulo ou em branco e, sobretudo, com os que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Segundo dados do TRE‑MG, Itabira registrou 15.960 abstenções (18,05%), além de 1.966 votos em branco (2,71%), e 3.024 votos nulos (4,17%). Esses números mostram que há campo para avançar, especialmente entre eleitores moderados que não se identificam com o bolsonarismo.

O prefeito Marco Antônio Lage (PSB) reforça essa leitura ao afirmar que pretende ampliar o diálogo com setores de centro e centro‑direita não bolsonarista, avaliando que a defesa da democracia deve unir diferentes campos políticos neste momento decisivo.

A estratégia, segundo ele, é combinar mobilização presencial com ações intensificadas nas redes sociais, buscando alcançar indecisos e ampliar a participação popular nos atos finais antes da votação.

Cartazes contra a ditadura e mensagens pela democracia marcam o primeiro ato do segundo turno na cidade
Ato cultural abre série de mobilizações na cidade

O ato deste sábado teve caráter político e festivo, com participação de artistas e blocos carnavalescos. A convocação circulou nas redes com tom bem‑humorado e crítico:

“Sem arminha, sem chicote na mão e sem comparar resultado eleitoral do miliciano com a ascensão do nazismo! É assim que a juventude e os artistas da terra de Drummond fazem política: com sorriso no rosto, alegria e certeza de que dia 25/10 Itabira estará vermelhinha, vermelhinha! Sem limite de idade ou de identidade, chega junto! Vale trazer bandeira, seu doguinho, sua vó e seus meninos. Não pode é ficar de fora.”

Com esse primeiro ato já realizado, Itabira se insere na mobilização nacional que cresce na reta final da campanha. A expectativa é que, a partir da próxima semana, lideranças políticas e sindicais da cidade e da região intensifiquem esforços para conquistar indecisos e ampliar a participação popular nos atos finais antes da votação no domingo (25).

 

 

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