Vorcaro, Nikolas e Zema estão juntos e misturados na lama da mineração irregular em Minas Gerais, denuncia a deputada Bella Gonçalves

Foto: Divulgação/
Polícia Federal

Parlamentar relata intimidações, aponta conexões entre banqueiro, deputado e governo estadual e cobra investigação sobre negócios suspeitos no setor de mineração

A deputada estadual Bella Gonçalves publicou nesta quarta-feira (30) um vídeo em suas redes sociais cobrando investigações sobre relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governo de Romeu Zema (Novo-MG) e empresas envolvidas em atividades ilegais de mineração em Minas Gerais.

Segundo ela, os episódios não são isolados e revelam um conjunto de interesses que envolvem negócios privados, decisões políticas e ações de órgãos públicos.

Bella relembra que, há cerca de três anos, passou a denunciar a atuação da Taquaril Mineração (Tamisa), empresa que esteve ligada a fundos administrados pelo grupo de Vorcaro –  e que buscava avançar com um empreendimento na Serra do Curral.

A parlamentar afirma ter recebido, à época, uma notificação extrajudicial e uma ligação que interpretou como tentativa de intimidação. Em 2023, ela já havia tornado públicas as relações entre Vorcaro e a Tamisa, criticando a exploração planejada na área.

A deputada Bella Gonçalves relata intimidações e pede apuração de vínculos entre agentes públicos e interesses minerários (Foto: Henrique Chendes/ALMG)

No vídeo, Bella destaca que, até setembro de 2025, a Tamisa tinha como acionista majoritário um fundo ligado ao Banco Master, além de participação de empresa administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, doou R$ 1 milhão ao partido Novo, legenda de Romeu Zema, às vésperas da campanha de reeleição do governador.

A deputada também aponta a relação entre Vorcaro e Nikolas Ferreira. Áudios divulgados em setembro mostram o deputado pedindo ao banqueiro ajuda para destravar um “ativo minerário” ligado ao advogado Thiago Rodrigues de Faria, então assessor do deputado.

O negócio envolvia uma área em Ouro Preto relacionada à barragem Água Fria, classificada entre as estruturas de maior risco de rompimento do país. Faria aparece em documentos da Operação Rejeito, da Polícia Federal, que investigou exploração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.

“Não estamos falando de episódios isolados. Estamos falando de relações que envolvem dinheiro, mineração, poder político e decisões do Estado”, afirma Bella no vídeo.

Medidas do governo Zema sob questionamento

Bella também questiona medidas adotadas pelo governo Zema que, segundo ela, beneficiaram o Banco Master.

Entre elas está a ampliação, em 2021, da margem de consignação dos servidores estaduais para o cartão de benefício consignado, modalidade operada pelo banco por meio do Credcesta e regulamentada pelo governo em 2022.

A deputada levou esse conjunto de episódios ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), solicitando investigação sobre eventual favorecimento a empresas ligadas ao grupo de Vorcaro.

O caso do “Sicário” e o paradeiro de Nathana

No vídeo, Bella também aborda o caso de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado em investigações como prestador de serviços de Vorcaro. Mourão foi preso pela Polícia Federal em março deste ano e morreu dentro das dependências da corporação.

No apartamento onde ele foi detido estava Nathana Lopes Figueiredo, que tinha residência declarada em Dubai. A PF tentou impedir que ela deixasse o país, mas o ministro André Mendonça autorizou a viagem.

Bella afirma que não há informações públicas suficientes sobre o paradeiro atual de Nathana nem sobre eventual depoimento prestado por ela.

Daí que a deputada protocolou pedidos de esclarecimento à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal para saber em que condição Nathana figura na investigação, se prestou depoimento, quais informações forneceu e quais diligências foram realizadas após sua saída do Brasil.

Bella também solicita informações sobre as investigações relacionadas à morte de Mourão.

“Eu sigo fazendo o meu trabalho que é denunciar, fiscalizar e cobrar que as instituições investiguem. Minas não pode ser tratada como balcão de negócios para banqueiros, mineradoras e políticos”, afirma Bella Gonçalves.

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