Bruna Lombardi participa do Sempre um Papo e lança dois livros em BH
Foto: Divulgação
Atriz relança Diário do Grande Sertão, com textos inéditos e bastidores da adaptação de Grande Sertão: Veredas; e Mulheres que sentem os espíritos
Quarenta anos depois de sua primeira publicação, Diário do Grande Sertão, de Bruna Lombardi, ganha nova edição pela Autêntica Contemporânea e retorna às livrarias na forma como a autora afirma ter desejado desde o início.
Escrito a partir dos diários mantidos durante as gravações da histórica adaptação televisiva de Grande Sertão: Veredas, exibida pela TV Globo em 1985, o livro combina memória, relato pessoal e making of para revisitar tanto os bastidores da produção quanto a experiência de atravessar, junto à equipe, o sertão mineiro em busca de traduzir para as telas o universo criado há exatos 70 anos por João Guimarães Rosa.
A obra retorna às livrarias em edição ampliada, reunindo material inédito, fotos de bastidores, desenhos e anotações de Bruna sobre uma experiência que entrelaça literatura, atuação e transformação pessoal.
Lançamento no Sempre um Papo
Diário do Grande Sertão será lançado em Belo Horizonte, dentro da programação comemorativa de 40 anos do Projeto Sempre um Papo, idealizado por Afonso Borges. Durante o evento, a atriz e escritora lança também seu novo romance, Mulheres que sentem os espíritos, que sai pela Editora Record.
O encontro será realizado no dia 18 de agosto de 2026, às 19h, no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais – TCE-MG (Av. Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo). A entrada é gratuita, com distribuição de ingressos por ordem de chegada.
Em 1982, Walter Avancini convidou Bruna Lombardi para interpretar Diadorim na adaptação televisiva de Grande sertão: veredas, uma das obras centrais da literatura brasileira. A produção da minissérie levou centenas de profissionais e milhares de figurantes ao sertão mineiro durante meses de gravação, em uma imersão intensa no universo roseano.

Travessia pelo sertão mineiro
Exibida pela TV Globo em novembro e dezembro de 1985, em 25 capítulos, a adaptação se consolidou como um marco da televisão brasileira, tanto pela escala da produção quanto pelo desafio de transformar em imagens um romance conhecido por sua linguagem singular e estrutura complexa.
Foi nesse contexto que Bruna começou a escrever os textos que dariam origem a Diário do Grande Sertão. Em meio à travessia pelo sertão, longos períodos de filmagem e o processo de construção de Diadorim, a atriz registrou impressões sobre a paisagem, o cotidiano da equipe, os encontros humanos e o impacto íntimo provocado pela convivência radical com a obra de Guimarães Rosa. O resultado ultrapassa os limites de um simples diário de bastidores: o livro se transforma em uma reflexão sobre literatura, identidade e imaginação.
A relação entre a atriz e sua personagem ocupa o centro da narrativa. Cercado por ambiguidades, Diadorim exige de Bruna uma entrega que atravessa os limites convencionais da interpretação. Ao longo do livro, a atriz revela como a experiência de habitar essa personagem alterou sua percepção sobre si mesma, sobre a vivência no sertão e sobre o próprio fazer artístico.
Na época, os textos chamaram a atenção de Caio Fernando Abreu ainda durante o processo de escrita. Foi ele quem incentivou Bruna a publicar os fragmentos, percebendo ali não apenas um relato de bastidores, mas um documento raro sobre a experiência transformadora da literatura.
Entre a dureza e a beleza do sertão mineiro, entre o cotidiano exaustivo das gravações e a potência da obra roseana, a autora constrói um testemunho sensível sobre o encontro entre vida, literatura e criação artística.
Sobre o Mulheres que sentem os espíritos (Ed. Record)
Em Mulheres que sentem os espíritos, Bruna Lombardi constrói um romance sobre luto, herança e pertencimento. Após a morte da mãe, Lorena é levada a revisitar a própria história, marcada por ausências, relações frágeis e um persistente sentimento de inadequação. Criada por Laura, uma mãe solo de origem grega que sustentava a casa com sessões espirituais, a personagem sempre rejeitou o universo místico que a cercava.
Entre as ruínas de um casamento fracassado e uma vida errante, ela encontra em Dora — mulher negra que trabalhou em sua casa desde jovem e se tornou sua irmã de criação — uma companheira para atravessar a perda e as crises do presente. Juntas, embarcam para a Grécia em busca de elaborar o luto e compreender a figura materna que moldou suas trajetórias.
Ao longo dessa jornada, Lorena se vê diante daquilo que mais tentou negar: o legado espiritual da mãe pulsa em si, obrigando-a a confrontar memórias, afetos e a possibilidade de acolher o dom de “sentir os espíritos”. O romance aborda, assim, o peso das heranças invisíveis e as formas de continuar vivendo diante da perda.
Sobre a autora
Bruna Lombardi é poeta, escritora, atriz, roteirista, diretora, produtora e ativista ambiental. Publicou vários livros, entre eles os best-sellers: No ritmo dessa festa, Gaia, O perigo do dragão, Filmes proibidos, Jogo da felicidade e Clímax.
Desde No ritmo dessa festa, sua primeira publicação, com prefácio de Chico Buarque de Holanda, seus trabalhos receberam excelentes matérias e elogios de grandes escritores e poetas, como Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Vinicius de Moraes.









