Djonga e Thiago SKP transformam o Festival de Inverno de Itabira em apoteose da juventude trabalhadora na praça do Areão

Fotos:Carol Veloso/
Divulgação/Ascom/FCCDA

Rapper itabirano lança o álbum Aura e tem como ponto alto de seu show o rap de protesto Quanto Vale, em memória da tragédia-crime de Brumadinho, antes de Djonga incendiar a praça do Areão com um espetáculo dedicado ao povo preto e periférico de Itabira

Mesmo com uma programação mais curta, o 52º Festival de Inverno de Itabira reafirmou seu caráter democrático e provocativo ao trazer para o centro da cena cultural artistas e públicos que antes ficavam à margem.

Foi assim que o tema Travessias se materializou em apresentações que cruzaram fronteiras estéticas e sociais, valorizando a juventude trabalhadora e preta das periferias, que compareceu em peso às apresentações de Thiago SKP e Djonga na noite deste sábado (25), na praça do Areão.

O público viveu um momento de afirmação cultural e cidadania, em clima de paz, pertencimento e reconhecimento, consolidando o festival como espaço democrático e inclusivo, capaz de dar protagonismo a quem por muito tempo esteve à margem de suas edições anteriores.

Thiago SKP lança “Aura” e dá voz à resistência
Thiago SKP acompanhado pela trupe do projeto Hora do Breaking, em uma celebração vibrante da cultura hip hop e da juventude periférica

O rapper  Thiago SKP apresentou o álbum Aura, acompanhado de banda completa e participações especiais, celebrando os 20 anos de sua carreira artística.

Diferente das canções fúteis e muitas vezes misóginas que ainda circulam no universo do rap, SKP reafirmou sua versão politizada do gênero, marcada por engajamento social e defesa do meio ambiente.

O ponto alto foi a interpretação de Quanto Vale, rap de protesto que denuncia os impactos da mineração e relembra a tragédia-crime de Brumadinho.

A apresentação também trouxe uma versão em ritmo e poesia de O maior trem do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, com participação de Sérgio Diaz, que recitou o poema-manifesto com musicalidade própria.

O show contou ainda com a trupe do projeto Hora do Breaking, produzido por SKP e que há mais de três anos reúne jovens de sete comunidades itabiranas em oficinas de dança e cultura hip hop.

O b-boy Keiron, parceiro de SKP há mais de 15 anos, trouxe performances de breaking, reforçando a potência da cultura urbana e a integração da juventude periférica ao palco do festival na praça do Areão.

Djonga retorna a Itabira e dedica show ao povo preto
Djonga em apresentação, na praça do Areão, dedicou seu show ao povo preto e periférico, reafirmando o rap como voz da vida real das favelas

Djonga retomou sua ligação com Itabira, cidade onde se apresentou há dez anos ao lado de SKP, na praça Acrísio de Alvarenga. De lá para cá a vida mudou muito para mim, espero que tenha mudado positivamente também para vocês. Podem me convidar mais vezes, que eu volto.”

Em um show vibrante, reafirmou sua marca de não cantar futilidades, mas sim a vida real das favelas e periferias. Dedicou o espetáculo ao povo preto e periférico de Itabira.

Foi nesse clima participativo que a juventude trabalhadora e periférica lotou a praça do Areão, celebrando dois espetáculos que reafirmaram a força da cultura hip hop como voz de resistência e identidade.

A apoteose do festival

Parafraseando Leonel Brizola, pode-se dizer que a noite deste sábado foi a verdadeira apoteose do Festival de Inverno de Itabira.

Em 1984, o então governador do Rio de Janeiro inaugurou o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, projetado por Oscar Niemeyer. E classificou o primeiro desfile das escolas de samba naquele espaço como a “apoteose do carnaval carioca”.

O arco monumental de Niemeyer, batizado como Praça da Apoteose, simbolizou a consagração definitiva do samba como espetáculo cultural e popular.

Em Itabira, a apoteose do festival deste ano se deu com a união de Thiago SKP, Djonga e dezenas de jovens do coletivo Pretos no Topo e do projeto Hora do Breaking, que encerraram a noite celebrando a cultura hip hop com energia e representatividade.

Assim como Brizola consagrou o samba no Sambódromo, a edição deste ano do festival consagrou o rap e a cultura urbana como protagonistas, com uma programação democrática e participativa.

Trouxe para o centro da cena cultural itabirana a juventude periférica e trabalhadora, historicamente marginalizada nas edições anteriores. Que assim seja também nos próximos festivais.

Encerramento neste domingo

O Festival de Inverno de Itabira se encerra neste domingo (26), com programação voltada para o público infantil e familiar no Memorial Drummond (Pico do Amor) e no centro cultural.

Confira:

  • 14hHistórias Brincantes, com a trupe Pipoquinhas
  • 15hHistórias do Circo, com Diego Granja, do Circo Massa
  • 16h – Apresentação do grupo parafolclórico Tumbaitá
  • 17h – Peça infantil Moana, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade

 

 

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