O futuro é fruto de seu próprio povo e de sua história

Casarão histórico de Itabira, testemunha de um passado marcado pela mineração e símbolo de uma cidade que pode transformar sua herança em novos caminhos de desenvolvimento

Foto: Carlos Cruz

Itabira tem tudo para construir um futuro de desenvolvimento para todos, desde que descruze os braços e una forças em torno de seu povo, com a força criativa da juventude e com apoio de organizações internacionais

Por José Norberto de Jesus*

Por que esperar que a mineradora faça por Itabira aquilo que, em quase cem anos de exploração, não fez de maneira suficiente? Durante décadas, retirou-se daqui uma imensa riqueza, transformando o minério de nossas montanhas em desenvolvimento para outras regiões e países, enquanto para a cidade ficaram as marcas da expropriação, as incertezas do futuro e, muitas vezes, apenas migalhas de uma riqueza que nasceu em solo itabirano.

Não raras vezes, afirma-se que Itabira não possui projetos ou alternativas para se reestruturar economicamente. Tal argumento soa como ironia diante do potencial humano, cultural, educacional e criativo que o município possui. Se a riqueza daqui extraída ajudou a movimentar economias pelo mundo, por que não estabelecer uma grande rede de cooperação internacional capaz de contribuir para a reconstrução econômica da cidade?

Os próprios organismos financeiros internacionais e bancos de desenvolvimento poderiam ser convidados a participar desse novo ciclo, financiando projetos de inovação, cultura, turismo, educação, tecnologia e economia criativa. Não como gesto de caridade, mas como investimento em uma cidade que tanto contribuiu para o desenvolvimento econômico de outros lugares.

Entretanto, a maior riqueza de Itabira não está apenas no que saiu de suas montanhas. Ela está em seu povo.

Por que os poderes constituídos ainda duvidam da capacidade de nossos milhares de jovens? Será que eles, devidamente capacitados e estimulados, não teriam competência para pensar alternativas frutíferas capazes de mudar esse cenário de incertezas? Em um tempo em que a tecnologia e a inovação transformam ideias em realidade, é preciso acreditar na inteligência, na criatividade e no espírito empreendedor das novas gerações.

Com acesso ao conhecimento, às ferramentas digitais e às linhas de financiamento destinadas ao desenvolvimento, nossos jovens podem criar soluções, empreender, produzir cultura, gerar empregos e abrir novos caminhos para o município. O que lhes falta, muitas vezes, não é capacidade, mas oportunidade, incentivo e confiança.

Talvez tenha chegado a hora de estendermos as mãos uns aos outros e fazermos da união a nossa maior força. Como nos inspira a obra de Carlos Drummond de Andrade, é preciso caminhar de mãos dadas, unidos pelo mesmo ideal de reconstrução e esperança.

O futuro de Itabira não pode ser construído apenas pela espera ou pela dependência. O futuro é fruto de seu próprio povo, de sua capacidade de sonhar, de criar e de transformar desafios em oportunidades.

Se acreditarmos em nossa gente, em nossa cultura e em nossa inteligência coletiva, seremos capazes de promover as transformações que tanto sonhamos e de construir uma Itabira mais justa, mais humana e preparada para os novos tempos.

Porque o futuro não se herda. O futuro se constrói, de mãos dadas, pelo seu próprio povo.

*José Norberto de Jesus é itabirano, formado em Estudos Sociais, pós graduado em MBA Gestão de Projetos pelo Senac, atualmente é funcionário da Prefeitura de Itabira e trabalha Espaço Museológico Casa de Drummond.

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