Itabira completa 84 anos de exploração sem retorno social e ambiental
Foto: Acervo Vila de Utopia
Desde a criação da Vale em 1942, a cidade que gerou riquezas para o Brasil permanece espoliada, poluída e sem alternativas econômicas, enquanto promessas de diversificação nunca se concretizam
Por Maria Alice de Oliveira Lage*
Li e reli o artigo Itabira vive o crepúsculo da mineração sem ter agregado valor ao ferro, publicado na Vila de Utopia. Verdades foram descritas e são muito sérias.
Todo Itabirano deveria ler e pensar a História de Itabira. As suas riquezas foram exploradas e a cidade não foi recompensada.
A Vale inibiu toda a iniciativa privada existente, sem interagir corretamente com a comunidade.
Itabira cidade geradora de riquezas, foi espoliada, poluída, descaracterizada em seus aspectos paisagísticos e social, cercada de barragens, destruída de vegetação e assistindo a agonia de seus recursos hídricos.
A dívida ambiental é grande, basta citar a falta de água na cidade, enquanto cerca de 75% ficam com a empresa e o restante com a população.
Somente após a intervenção do Ministério Público, 20 anos se passaram, para cumprir sua obrigação de fazer, com a futura transposição de água do rio Tanque para abastecer a cidade.
“A saga de uma cidade refém do modelo colonial mono extrativista exportador que ainda perdura no país “.
Realmente, “Itabira vivencia há mais de 82 anos o advento da mineração em larga escala. Foi criada em 1942 a Companhia Vale do Rio Doce, hoje VALE S/A sem o rio Doce, pois Mariana e Brumadinho carregam as marcas da mineração .”
Promessas foram várias: siderurgia, fábrica de Briquete e outras, todas descartadas.
Os empreendimentos seguem para outras localidades e Itabira sempre esquecida.
Silêncio das autoridades e de grande parte da população que se contentam com “esmolas” e deixam de cobrar o que é de direito e devido à cidade.
Itabira assiste passivamente. É a imagem do brasileiro conformado, submisso, que Sartre assim se refere: “Sorte do Imperialismo, pelo próprio jogo de opressão econômica cria no oprimido necessidades que somente o opressor pode satisfazer.”
Os representantes do povo e a população precisam exigir uma nova postura da Empresa em relação ao Município, não só na questão ambiental, como também social.
Para isso são urgentes novas iniciativas econômicas desde já, antes do pós- mineração, agregando valor ao ferro explorado e que lhe deu riqueza.
*Maria Alice de Oliveira Lage é professora de Geografia aposentada. Foi a primeira presidente do Codema (1985 a 1997), secretária municipal de Educação.
É uma das primeiras ambientalistas de Itabira, sempre presente na luta por um território com um ambiente equilibrado, com controle da poluição do ar e da degradação paisagística, com a cidade fazendo a sua parte diante das mudanças climáticas, preocupação de todo o mundo.
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