Ministério Público é acionado contra homenagem a Flávio Bolsonaro em BH; ato de repúdio é convocado por organizações sociais e pela Força Atleticana Revolucionária
Foto: Filó Alves/ CMBH
Representação denuncia uso político da Câmara e desmente factoide de ameaça de morte ao pré-candidato da extrema direita criado pelo blogueiro Allan dos Santos
O Ministério Público de Minas Gerais foi acionado nessa segunda-feira (1º) por meio de representação protocolada pelo engenheiro ambiental Felipe Gomes e por Marcelo Saad, presidente da torcida Força Atleticana Revolucionária (FAR).
Eles pedem providências contra a entrega do título de cidadão honorário de Belo Horizonte ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcada para esta terça-feira (2/6), às 19h, na Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Segundo os autores, não há qualquer contribuição do senador e pré-candidato bolsonarista à capital mineira que justifique a honraria. Para eles, a solenidade é usada como palanque político em plena pré-campanha, reforçada pela declaração do vereador Vile Santos (PL), autor da proposta, que afirmou estar “recebendo nosso futuro presidente”.
Factoide de ameaça tenta criminalizar protesto
A polêmica se agravou após o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos inventar e publicar que o Comando Vermelho (CV) planeja assassinar Flávio em Minas. Sem provas, o texto associa nominalmente Felipe Gomes e o grupo que organiza o ato de repúdio a um suposto plano de morte.
Os organizadores reagiram e registraram ocorrência na Polícia Civil, denunciando a tentativa de criminalização de uma manifestação pacífica. “Transformaram um protesto democrático em narrativa de facção criminosa. Isso é gravíssimo”, disse Gomes.
O ato de repúdio está marcado para 16h30 em frente à Câmara Municipal da capital mineira. Tem caráter pacífico e foi devidamente comunicado às forças de segurança.
A torcida FAR, ligada ao Atlético Mineiro, lidera a mobilização contra a homenagem. Em resposta, torcidas bolsonaristas como BolsoGalo (Atlético), Direita Azul (Cruzeiro) e Coelhões da Direita (América) convocaram manifestação de apoio no mesmo horário e local, aumentando o risco de confronto.

Estratégia de vitimização reedita 2018
A narrativa de ameaça contra Flávio busca reeditar a estratégia de vitimização usada em 2018, quando Jair Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora, episódio ainda cercado de dúvidas. O objetivo seria mobilizar a base bolsonarista e desviar o foco de escândalos recentes.
Entre eles, o caso Banco Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, aliado de Flávio e investigado por fraudes financeiras, e as ligações da família Bolsonaro com milicianos do Rio de Janeiro.
A homenagem em BH, portanto, aparece como cortina de fumaça em meio à crise da pré-campanha.
Honraria sem serviços relevantes
A Câmara de Belo Horizonte presta um desserviço à cidade ao conceder título honorário a quem nada fez pela capital mineira. No caso, a honraria claramente é usada como palanque político para um senador que busca se projetar nacionalmente.
É um gesto de bajulação, não de reconhecimento, uma campanha antecipada em um claro atentado à legislação eleitoral
Tão grave quanto é o factoide criado por Allan dos Santos, que tenta transformar uma manifestação pacífica em plano de morte, numa tentativa farsesca de reeditar a estratégia da “facada” de 2018.
O objetivo é vitimizar Flávio Bolsonaro e blindá-lo das denúncias que o cercam. Trata-se de manipulação política, que criminaliza cidadãos e torcidas organizadas que apenas exercem o direito constitucional de protestar.
Serviço
- Cerimônia de homenagem: 2 de junho, às 19h, Câmara Municipal de Belo Horizonte
- Ato de repúdio: 2 de junho, às 16h30, em frente à Câmara Municipal
- Caráter do ato: pacífico, democrático, sem armas, comunicado preventivamente às forças de segurança









