Esquizofrenia: 23 milhões convivem com o transtorno no mundo e interrupção do tratamento preocupa

Doença é um transtorno mental crônico

Foto: Magnific/
Divulgação

Diagnóstico precoce, tratamento contínuo e apoio familiar são essenciais para conter avanços e reduzir estigma

Nesse domingo (24), foi marcado como o Dia Mundial da Conscientização sobre a Esquizofrenia, uma condição que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Trata-se de um transtorno mental grave, caracterizado pela perda de contato com a realidade, com sintomas como alucinações, delírios, alterações no pensamento e no comportamento.

Os primeiros sinais costumam surgir na adolescência. De acordo com a OMS, a esquizofrenia está entre as principais causas de perda de qualidade de vida em pessoas entre 15 e 44 anos.

No Brasil, a estimativa é que cerca de 1,6 milhão de pessoas convivem com o transtorno. Além dos desafios impostos pela doença, muitos pacientes ainda enfrentam estigma e preconceito por causa da desinformação.

“A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que se manifesta por alterações no pensamento, nas emoções e na percepção da realidade. Entre os principais sintomas estão delírios, alucinações, principalmente auditivas, e desorganização do pensamento”, explica a psiquiatra da Hapvida, Nikolas Vale.

Além desses sintomas, o quadro também pode evoluir com isolamento social, apatia e dificuldade de concentração. Mudanças de comportamento, queda no desempenho acadêmico ou profissional e desconfiança excessiva estão entre os sinais que podem surgir nas fases iniciais.

“O diagnóstico é feito a partir de uma avaliação psiquiátrica detalhada, que considera o histórico do paciente ao longo da vida e fatores familiares. Muitas vezes, a família percebe alterações de comportamento antes mesmo do paciente reconhecer que algo não está bem”, destaca.

O tratamento é baseado principalmente no uso de medicamentos antipsicóticos, que atuam no controle dos sintomas. Embora não haja cura, o acompanhamento contínuo pode retardar a progressão da doença e reduzir o comprometimento cognitivo.

“Com o tratamento adequado, é possível conter o avanço da doença e preservar a capacidade funcional do paciente por mais tempo. A medicação, aliada a um ambiente familiar estruturado, faz diferença no prognóstico”, afirma.

Interrupção do tratamento agrava quadro

Um dos principais desafios no cuidado com a doença é a continuidade do tratamento. Fatores como efeitos colaterais, entre eles ganho de peso e alterações na libido, além da dificuldade do paciente em reconhecer a própria condição, contribuem para que muitos deixem de seguir corretamente as orientações médicas.

“Quando o tratamento é interrompido, aumenta o risco de recaídas e de surtos psicóticos, que são episódios de desorganização mental intensa, com delírios e alterações comportamentais importantes. A cada novo episódio, pode haver maior prejuízo cognitivo”, alerta o especialista.

Estigma ainda é barreira 

O preconceito em torno da esquizofrenia continua sendo um dos principais obstáculos para o diagnóstico e tratamento. O medo e a falta de informação contribuem para o isolamento social dos pacientes e dificultam o acesso ao cuidado adequado.

“As pessoas com esquizofrenia são muito mais vítimas do que agressoras. Por conta das alterações comportamentais e da vulnerabilidade, elas acabam mais expostas a situações de violência e exclusão”, ressalta.

Família tem papel essencial

O apoio familiar é um dos pilares no cuidado com o paciente. A relação deve ser baseada em empatia e acolhimento, reconhecendo que, embora os sintomas não sejam reais para os outros, o sofrimento do paciente é legítimo.

“A família precisa entender que, para o paciente, os delírios e alucinações são reais. Por isso, é importante evitar confrontos diretos, manter a calma e oferecer suporte emocional, além de incentivar a continuidade do tratamento”, orienta.

Durante crises, a recomendação é priorizar a segurança e buscar ajuda especializada.

“Em momentos de surto, o ideal é manter um ambiente tranquilo, evitar discussões e procurar atendimento médico o quanto antes, garantindo a segurança do paciente e das pessoas ao redor”, conclui.

 

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