ArcelorMittal recua e negociações sobre turno são reabertas em João Monlevade
Fotos: Divulgação/ Ascom/Metabase
Mobilização dos metalúrgicos, com apoio do Metabase de Itabira, pressiona empresa a rever posição sobre jornada de trabalho
A força da união dos trabalhadores voltou a marcar a história em João Monlevade. Após a mobilização promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sidmon-Metal), com apoio solidário do Sindicato Metabase de Itabira e Região, e também de outras entidades sindicais, a ArcelorMittal recuou e solicitou a reabertura das negociações sobre o acordo de turno na unidade da cidade.
A mobilização, realizada na manhã de quinta-feira (21), reuniu diversas entidades sindicais da região e do estado, reforçando a luta dos 684 homens e mulheres que atuam diretamente no regime de turno da siderúrgica.
A categoria reivindica uma jornada mais humana e digna, alinhada ao modelo quatro por quatro já adotado em outras unidades da ArcelorMittal no Brasil. Em João Monlevade, entretanto, a empresa ainda insiste em manter o regime seis por dois, considerado mais rígido e desgastante.
Sindicatos mobilizados e unidos

O presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana, juntamente com outros dirigentes, esteve presente ao lado da diretoria da entidade para fortalecer o ato e cobrar respeito da empresa.
Segundo ele, os metalúrgicos reivindicam turno digno, conforme já ocorre em três das quatro unidades da empresa no Brasil, que já adotam o modelo quatro por quatro.
Para Viana, o trabalhador precisa de tempo para melhorar a qualidade de vida, com descanso, estudo, lazer, convivência com a família. “Ninguém vive só para trabalhar. As pessoas trabalham para viver e querem viver com dignidade”, disse.
Viana também reforçou o apoio da categoria dos mineiros de Itabira à luta dos metalúrgicos de João Monlevade, declarando total à reivindicação por uma jornada de trabalho justa. “Estamos juntos nessa caminhada por dignidade e respeito aos trabalhadores.”
O presidente do Sidmon-Metal, Flávio Paiva, destacou a dimensão da mobilização e agradeceu a presença de lideranças regionais.
Além do Metabase de Itabira, apoiaram a mobilização a CUT Regional Vale do Aço, a Federação Estadual dos Metalúrgicos, “companheiros de Timóteo, sindicatos dos servidores públicos e diversas entidades parceiras”.
Para Paiva, trata-se de uma mobilização pacífica, mas extremamente forte, que demonstra claramente que os trabalhadores estão unidos e não aceitarão retrocessos.
Negociações retomadas

Após a manifestação, a ArcelorMittal pediu ao sindicato a retomada das negociações, em reunião marcada para o próximo dia 26 de maio.
O presidente do Sidmon-Metal ressaltou que a reabertura das conversas representa um avanço conquistado pela mobilização da categoria.
Ele, entretanto, reafirmou que o diálogo não altera a convocação da assembleia que irá deliberar sobre o estado de greve e sobre o legítimo direito constitucional de mobilização dos trabalhadores.
De acordo com ele, a categoria já demonstrou, de forma democrática e com força, sua insatisfação com a postura da empresa.
“Os trabalhadores seguem exigindo avanços objetivos que atendam efetivamente às reivindicações, entre elas a implantação da escala quatro por quatro, a melhoria das condições de trabalho e o respeito à vontade da categoria e ao direito de qualidade de vida”, reafirmou.
Nesse apoio, o movimento sindical permanece unido, vigilante e preparado para ampliar as ações caso não haja avanços reais nas negociações, sempre dentro da legalidade e da defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.
“A união da classe trabalhadora mais uma vez prova que, quando os seus sindicatos caminham juntos, a voz do trabalhador ecoa mais forte”, salientou André Viana.








