Associações de Magistrados protestam contra a charge da Folha e questionam os limites da sátira e da liberdade de expressão

Foto: Marcello Casal Jr/
Agência Brasil

Entidades classificam como “deboche” e “desumanidade” charge de Marília Marz; Folha e ombudsman se manifestam

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou neste sábado (9) uma nota de protesto contra charge publicada pela Folha de S.Paulo, assinada pela cartunista Marília Marz.

A ilustração mostrava uma lápide com a inscrição “Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos”, em referência aos adicionais e benefícios que elevam os salários de magistrados acima do teto constitucional.

A entidade classificou o conteúdo como “deboche” e “desumanidade”, especialmente por ter sido veiculado na mesma semana da morte trágica da juíza Mariana Francisco Ferreira, em 6 de maio, em decorrência de complicações de um procedimento de reprodução assistida.

Charge, alvo de críticas da AMG (Reprodução/Folha de S.Paulo)

Mariana, jovem juíza de primeira instância, havia sido designada três anos antes para a Vara Criminal de Sapiranga, no interior do Rio Grande do Sul.

“A imprensa é livre para criticar, no entanto, não há crítica legítima quando o sofrimento do outro é tratado com zombaria, descaso e achincalhe”, classificou a AMB.

“A liberdade de expressão é um dos pilares democráticos, mas não se discute estrutura remuneratória do Judiciário com a aniquilação do respeito a uma categoria e seus membros.”

Ombudsman reconhece falha editorial

Na edição de domingo (10/5), a ombudsman da Folha, Flávia Lima, escreveu que “a charge foi recebida como desrespeitosa e expôs uma falha editorial do jornal em não avaliar o impacto humano da publicação”.

Ela destacou que “a crítica institucional é legítima, mas não pode se confundir com insensibilidade diante de uma tragédia pessoal”, recomendando maior cuidado na seleção de charges em contextos de luto.

Direção da Folha pede desculpas

Também na edição de domingo (10/5), a direção da Folha se manifestou em nota oficial. O jornal afirmou que não houve intenção de ofender a memória da juíza, mas admitiu que a publicação foi um erro editorial.

Segundo o comunicado, “a charge buscava discutir privilégios salariais, mas acabou sendo interpretada como deboche diante de uma morte recente”.

A nota pede desculpas à família da magistrada e à categoria. O jornal informou ainda que haverá revisão interna nos critérios de publicação de charges.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *