Câmara de Itabira aprova criação do Maio Preto, campanha de conscientização sobre câncer de pele
Foto: Divulgação/CMI
Vereadores reforçam a importância do diagnóstico precoce e da prevenção
Motivados e sensibilizados pelo pronunciamento da itabirana Regina Freitas, irmã de Ricardo Freitas, vítima de um melanoma acral lentiginoso, tipo raro de câncer de pele que também vitimou o cantor Bob Marley em 1981, os vereadores de Itabira aprovaram em primeira instância, nesta terça-feira (28), o projeto de lei nº 37/26, de autoria do vereador Elias Lima (Solidariedade), que institui no município a campanha Maio Preto, dedicada à conscientização e prevenção do câncer de pele.
Na sessão legislativa da semana passada, ao ocupar a tribuna da Câmara, Regina relembrou a trajetória do irmão, que faleceu aos 49 anos em decorrência da doença.
Na ocasião, os vereadores destacaram a atuação de Ricardo junto à comunidade, especialmente pela dedicação ao judô e ao trabalho com crianças e jovens, deixando um legado de compromisso social e incentivo ao esporte.
A irmã explicou que a doença se manifestou inicialmente como uma pequena mancha na sola do pé, aparentemente inofensiva, mas que evoluiu rapidamente até se tornar fatal. “Ricardo nunca fumou, nunca bebeu, nunca se drogou. Era um atleta e morreu dando o seu último suspiro numa máscara de oxigênio”, disse, emocionada.
Regina ressaltou que o melanoma acral lentiginoso é mais comum em pessoas de pele negra, parda e morena. E sua ocorrência não está diretamente ligado à exposição solar, combatendo o mito de que essas populações seriam imunes ao câncer de pele.
“Quantos de vocês já procuraram um dermatologista? A gente passa pela vida sem esse cuidado. Vai ao cardiologista, ao clínico, mas o dermatologista só se procura quando há uma alergia ou algo muito grave. Precisamos mudar isso”, afirmou, defendendo que homens e mulheres façam ao menos uma avaliação anual da pele.
Prevenção e legado
Autor do projeto de lei, o vereador Elias Lima destacou que a iniciativa de instituir a campanha anual Maio Preto nasce da dor da família Freitas, para se transformar em ação coletiva de prevenção.
“Esse é um projeto de lei que vem trazer vida, porque quando trabalhamos com a prevenção, tratamos de sobrevida das pessoas, e isso faz toda diferença”, disse.
O vereador Rodrigo “Diguerê”Assis Silva (MDB) cumprimentou o pai de Ricardo, presente à sessão, destacando a importância do projeto aprovado.
“Certamente, esse projeto sendo implementado no município vai trazer bons frutos de prevenção e de cuidados precoces para que a gente consiga salvar vidas”, afirmou.
O vereador Marquinhos “da Saúde” Ferreira da Silva (Solidariedade) destacou a importância da detecção precoce da doença. “O diagnóstico precoce salva vidas, daí a importância desse projeto de conscientização”, aprovou.
O vereador Reinaldo Lacerda (PSB) também parabenizou Elias Lima pela iniciativa e destacou que a apresentação de Regina trouxe novos aprendizados para todos. “Esse projeto vai fazer a diferença na vida das pessoas, orientando outras pessoas para que se cuidem e busquem ajuda
A vereadora Jordana Madeira (PDT aproveitou para ampliar o debate, chamando atenção para dificuldades enfrentadas por mulheres na realização de exames preventivos, como a mamografia.
“O câncer, quem procura, acha, e cuida, mas para isso é preciso prevenir e diagnosticar a doença precocemente. Precisamos que a Secretaria de Saúde se atente a isso, porque descobrir cedo é salvar vidas”, afirmou.
O vereador Heraldo Noronha Rodrigues (Republicano) também reforçou que o projeto trará mais informação à comunidade. “Muitas vezes aparece uma mancha pequena e a pessoa nem sabe o que é. Quando vai olhar, já é tarde. Com maior informação, com campanhas como o Maio Preto, podemos salvar vidas e evitar sofrimentos”, afirmou.
Ele defendeu que o poder público aproveite a campanha para realizar mutirões, distribuir folhetos e promover ações educativas em locais de grande circulação.
“Cada segundo que a pessoa descobre antes pode salvar uma vida. A perda de Ricardo trouxe para nós um levantamento do que realmente precisa ser feito para salvar várias vidas”, concluiu.
Aprendizado coletivo
Encerrando a votação do projeto de lei, presidente da Câmara, Carlinhos “Sacolão” Henrique Silva Filho destacou que a perda de Ricardo deve se transformar em aprendizado coletivo.
“É muito triste a gente trazer essa lei, mas ela é necessária. E mais ainda, quando se tira a lição dessa perda e conscientizando as pessoas da necessidade do diagnóstico precoce”, afirmou.
Ele chamou atenção para o descuido masculino com a saúde, lembrando que muitos homens ignoram sinais no corpo. “O homem é desleixado com a saúde. Vê uma pinta e diz que não é nada e não procura um médico para ver do que se trata. E quando descobre (o câncer de pele) pode ser tarde”, lamentou
Carlinhos “Sacolão” garantiu que a Câmara dará todo suporte às campanhas de prevenção e que o exemplo de Ricardo deve inspirar ações permanentes.









