A lua é aqui
Foto: Divulgação/ Nasa
Quão longe precisamos ir, como humanidade, para assimilar o essencial?
Por Deborah Dubner*
Silêncio. Milhares de quilômetros distantes da Terra, quatro astronautas orbitam a Lua e observam o lado oculto. O invisível foi revelado.
A missão Artemis II representou coragem, ousadia e excelência. Mas, para além disso, me interessaram as sutilezas, o invisível que move. Não precisamos ir tão longe para ver. É só olhar para dentro.
Uma cratera lunar foi nomeada em homenagem à falecida esposa do comandante Reid Wiseman. Fez-se silêncio, enquanto os astronautas enxugavam as lágrimas. Uma experiência significativa de conexão humana.
A espaçonave Orion foi batizada de Integrity pela tripulação. Aqui faço uma pausa. Pela lente da Psicologia Positiva, a integridade é uma força de caráter humana, associada à virtude da coragem. A integridade sustenta quem somos, alinhando o que pensamos, sentimos e fazemos. Para vivê-la é preciso atravessar desconfortos. Integridade diz respeito à confiança, honestidade e humildade. Algo que, acredito, está em falta no mundo atual.
E então, o mais importante: as palavras dos astronautas. Se eu resumisse, seriam três: amor, gratidão e conexão. Palavras que não são apenas temas poéticos, e sim estados emocionais validados e mensuráveis pela Neurociência, com efeitos consistentes no cérebro, no corpo e nas relações.
A gratidão reorganiza a atenção e fortalece o bem-estar, o amor regula o corpo e cria conexão segura. Ambos reduzem o estresse e aumentam a saúde emocional. Juntos, eles relembram ao organismo que viver, mais do que se defender… é se conectar.
Christina Koch testemunhou: “Sempre escolheremos a Terra. Sempre escolheremos uns aos outros.” Nesta frase que viralizou, o amor aparece como uma escolha coletiva, no sentido relacional e apreciativo ao nosso planeta Terra.
O piloto Victor Glover, antes de perder a conexão com a terra, fez questão de lembrar: “Enquanto nos preparamos para sair da comunicação por rádio, ainda vamos sentir o amor de vocês vindo da Terra. E para todos vocês aí na Terra e ao redor dela, nós amamos vocês, da Lua. Nos vemos do outro lado.” E quando finalmente aterrissou na casa-terra, finalizou: “A gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava, é grande demais para caber em um corpo só.”
O piloto Jeremy Hansen resumiu sua vivência em três emoções positivas estudadas profundamente pela Ciência das Emoções: “Eu tenho três palavras para descrever essa experiência: gratidão… alegria… e amor. Gratidão pela minha família, pela NASA e por todas as equipes que tornaram isso possível. Alegria por tudo o que vivemos e compartilhamos juntos. E a última… é o amor.”
Os quatro tripulantes foram ao espaço e voltaram falando daquilo que só existe na Terra: o valor da experiência humana.
Viajaram milhares de quilômetros até a lua para viver o amor, a gratidão e o pertencimento.
Não é curioso?
Talvez o essencial seja simplesmente isso: a lua é aqui!
*Deborah Dubner é psicóloga e escritora. Autora de sete livros relacionados a autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx e especialista em Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness.








