Polícia Civil conclui inquérito e indicia autor de tentativa de feminicídio no bairro Penha; caso segue para a Justiça
Foto: Reprodução/ PCMG
Jovem de 22 anos sobrevive após ter os pulmões perfurados; agressor já tinha histórico de violência pela Lei Maria da Penha
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre a tentativa de feminicídio ocorrida na madrugada de 1º de abril de 2026, no bairro Penha, em Itabira.
O triste episódio foi marcado pela brutalidade e selvageria. O inquérito foi encerrado nessa sexta-feira (10), com provas consolidadas que atestam a gravidade do crime.
O autor foi formalmente indiciado e os autos encaminhados ao Poder Judiciário.
Cabe agora ao Ministério Público oferecer denúncia e dar prosseguimento ao processo criminal, que deve se transformar em ação penal com expectativa de responsabilização do agressor.
Crime de gênero
Na madrugada do crime, a jovem de 22 anos foi perseguida pelo ex-companheiro, de 30 anos, que portava uma faca. Em desespero, ela correu até a casa de um vizinho pedindo ajuda.
O agressor, no entanto, invadiu o imóvel e desferiu golpes que atingiram os dois pulmões da vítima. Gravemente ferida, a jovem foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal, onde passou por atendimento emergencial.
A agressão evidenciou um padrão recorrente nos crimes de gênero, conforme concluiu o inquérito policial: o sentimento de posse e controle exercido por homens misóginos sobre suas companheiras.
Esse comportamento, marcado pela ideia de que a mulher é propriedade, costuma anteceder episódios de violência extrema, como tentativas de feminicídio e feminicídios consumados.
Estado de saúde da vítima
Após dias de internação, a jovem conseguiu se recuperar das lesões mais graves e recebeu alta hospitalar.
Ainda em processo de recuperação, prestou depoimento à Polícia Civil, descrevendo os momentos de terror que viveu.
Seu relato foi fundamental para a conclusão do inquérito. A sobrevivência da vítima é considerada um desfecho raro diante da gravidade das perfurações sofridas.
Histórico do agressor
O indiciado já possuía registros anteriores por agressões enquadradas na Lei Maria da Penha.
No momento da abordagem policial, além da tentativa de feminicídio, ele também foi autuado por resistência, desacato e dano ao patrimônio público.
O nome do acusado não foi divulgado pela Polícia Civil em razão da Lei nº 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade, que restringe a exposição pública de investigados antes da condenação.
O delegado João Martins Teixeira Barbosa, responsável pelo caso, destacou a gravidade da dinâmica de opressão que antecedeu o crime. “Nossa atuação não se limitou apenas à apuração do atentado, mas buscou compreender toda a dinâmica de opressão que precedeu o fato.”
Misoginia, ciúme e sentimento de posse
Casos como esse revelam que o feminicídio não surge de forma repentina, mas é resultado de uma escalada de violência alimentada por misoginia, ciúme e sentimento de posse.
A tentativa de feminicídio no bairro Penha expõe como a cultura de controle sobre a vida das mulheres ainda persiste e se manifesta em atos extremos.
Com tentativas e agressões anteriores, o caso confirma que a violência doméstica não pode ser minimizada, pois cada agressão, cada ameaça, pode ser o prenúncio de um crime fatal.
O enfrentamento exige não apenas ação policial e judicial, mas também políticas públicas eficazes, educação para a igualdade de gênero e o fortalecimento dos canais de denúncia e acolhimento às vítimas.
Canais de denúncia e apoio em Itabira
Em Itabira, serviços como a Delegacia da Mulher, o CREAS e o projeto Chame a Frida oferecem acolhimento e canais de denúncia, fundamentais para prevenir novos episódios e garantir apoio às vítimas.
A tentativa de feminicídio no bairro Penha expõe, mais uma vez, como a violência doméstica pode escalar para situações de risco extremo, exigindo vigilância constante da comunidade e das autoridades.
Serviço
- Polícia Militar: Ligue 190 em casos de emergência.
- Delegacia da Mulher (DEAM): Av. Pref. Li Guerra, 1751 – Praia, Itabira. Atendimento especializado para mulheres vítimas de violência.
- Projeto Chame a Frida (WhatsApp): (31) 99398-6100 – canal digital para denúncias rápidas e discretas.
- CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social: Rua da Cultura, 100 – apoio psicossocial e encaminhamento jurídico.
- CRAS Central: Rua Mestre Emílio, 328 – apoio social básico e encaminhamento.
- Defensoria Pública de Minas Gerais: Av. Duque de Caxias, 240-A – orientação e defesa jurídica gratuita.









