Codema discute, nesta quinta-feira, anuência para a Vale licenciar o reaproveitamento de rejeitos em Itabira
Foto: Carlos Cruz
Aprovação dá início ao licenciamento ambiental e vai abrir caminho para, enfim, ser dado início o reaproveitamento desse material ferrífero que antes era considerado sem valor econômico pela mineradora
O Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) de Itabira se reúne, nesta quinta-feira (12), para analisar o pedido de anuência da Vale S.A, concedendo também certidão de uso e ocupação do solo.
Essa etapa é necessária para que a mineradora obtenha licença ambiental junto ao órgão estadual, para que seja dado início ao reaproveitamento de rejeitos minerais acumulados em diversas estruturas do Complexo Minerário de Itabira.
Durante anos, a empresa sustentou não haver interesse econômico nesse material. Desde o lançamento deste portal, em 2017, temos cobrado que esses rejeitos fossem vistos como recurso minerário passível de transformação em reservas lavráveis.
Entretanto, somente agora, após os desastres-crimes de Mariana e Brumadinho e diante da proibição de novas disposições em barragens, a Vale passou a reconhecer o valor econômico e ambiental do reaproveitamento.
Ao fazer isso, admite que os rejeitos apresentam teor de ferro em torno de 37%, o que comprova a viabilidade de seu reaproveitamento no processo produtivo.
Rejeitos acumulados
O pedido de anuência contempla rejeitos acumulados nos diques Minervino e Cordão Nova Vista, que integram a barragem Pontal.
Inclui também a barragem Conceição, dique e paliçadas do Rio de Peixe e das cavas Onça e Periquito.
Os rejeitos contidos na barragem Itabiruçu, que foi alteada recentemente para receber mais material das usinas Conceição, mesmo depois da proibição em lei, ainda não entraram nesse projeto de reaproveitamento.
Os rejeitos que serão reaproveitados serão direcionados para beneficiamento nas usinas do Complexo de Itabira, Cauê e nas duas de Conceição.
Entretanto, a usina Cauê será paralisada em julho para se adequar ao reprocessamento de rejeitos filtrados, técnica que elimina a disposição em barragens.
A previsão é que essa adaptação levará pelo menos cinco anos, o que levanta dúvidas sobre o cronograma efetivo de aproveitamento do material objeto da anuência, no caso do material contido no dique Minervino e no cordão Nova Vista.
Necessidade de debate público
Diante da relevância do tema, é fundamental que antes da aprovação da anuência seja realizada uma reunião pública.
Isso para que seja discutido com a sociedade itabirana o uso futuro dessas áreas, em benefício do meio ambiente e da sustentabilidade do município.
Com horizonte de exaustão mineral previsto para 2041, conforme relatórios Form-20 da Vale, Itabira precisa planejar alternativas para além da mineração.
Por isso, espera-se que os conselheiros do Codema solicitem vista ao processo, retirando-o momentaneamente de pauta, para que esse debate seja feito de forma transparente e participativa.
E que solicitem, também, na reunião de amanhã do Codema, a realização dessa reunião pública.








