Uma Mantiqueira no Mato Dentro

Fotos: Ticorico

Um importante intercambio entre amigos e montanhas aconteceu no final de 2025 quando o amigo Jaime Alves veio a Minas para conhecer de bicicleta as nossas trilhas, rotas e caminhos

Por Antônio “Ticorico” Gonçalves*

Tudo começa em Nova União onde fizemos o primeiro giro, a Volta do Sete. Foram 56,40km com 1.511m de ganho de elevação, sendo 1.246m a altitude máxima. Um trecho lindíssimo com fazendas centenárias, florestas e lugares bucólicos. Pelo veranico que estava não poderia faltar ótimos banhos de cachoeiras como a Cachoeira da Prata onde a bike chega quase na água.

Em seguida, a virada de montanha já visando a “Face Leste” da Serra do Cipó entretanto, voltando, subimos os duros morros onde chegamos em uma clareira onde acontece a Missa Campal.

Local destinado à missa campal, na face leste da Serra do Cipó

Esse local é incrível, tem um mini altar de concreto com um belo cruzeiro em madeira onde em datas comemorativas, se realizam ali, as missas na montanha. Esse local merece uma atenção especial, se trata de um lugar quase sagrado e pouco conhecido com uma vista lindíssima.

Iluminação de Natal da Igreja matriz, em Nova União

Até aqui, o amigo de Campos do Jordão já comentava: que lugar incrível Ticorico. Fácil perceber o contentamento, pois pedalar com clima quente e banho de cachoeira em Campos do Jordão é só em determinada época do ano. Mas o que chamou atenção é que não se vê ninguém de bike pelo caminho.

Recentemente, estive em Campos do Jordão participando do 1º Congresso de Ciclo Turismo e percebi a movimentação dos bikers, caminhantes e uma turma de cavalo nos caminhos, afinal, Campos do Jordão é um destino muito famoso de turismo brasileiro e internacional.

Seguimos, agora despencando morro abaixo até o distrito de Carmo da União, onde paramos para comer o pastel da D. Nonata e repor água gelada. A noite, fizemos um tour pela cidade de Nova União para mostrar a bela iluminação de Natal na Praça da Matriz e o jantar, no Restaurante Meidaroça.

Organizamos o carro com os equipamentos, bikes, alimentação e partimos no outro dia para o Mato Dentro, especificamente, para a Serra dos Alves onde ficamos por três dias. Um lugar incrível para se conhecer de mountain bike e que o Jaime já esteve comigo quando organizei a Cipó Cup, uma prova de ultra maratona de mountain bike com atletas de vários estados e até da Itália.

Cachoeira do Bongue, Serra dos Alves, distrito de Nossa Senhora do Carmo, Itabira, MG

Para fazer um reconhecimento e aproveitar as águas para banhos, optei por rodar pouco pois o outro dia seria intenso. Fizemos um bate e volta até a Cachoeira do Bongue sendo que na ida fomos pela trilha passando pelo Sapão e voltamos pelo alto, no caminho do Bongue. Foram 17,99km com 738 de ganho de elevação com 1.197 a elevação máxima.

Iluminação de Natal da Capela de São José, em Serra dos Alves

Ficamos hospedados na casa do Geraldo Raul, amigo antigo que nos recebeu super bem. Interessante foi o comentário do amigo Jaime que é proprietário de Pousada em Campos do Jordão e o atual presidente do Caminho da Fé: eles deveriam se reunir e estabelecer quem ficaria aberto numa data como essa. Pois chegamos na vila bem próximo do Natal e nada aberto, nenhuma pousada, casa, bar ou restaurante.

Empório Estiva, do casal Altair e Elza, entre Bom Jesus do Amparo e Ipoema, na Estrada Real

Foi quando liguei para o também amigo Roberto, da Pousada Neves, em Senhora do Carmo e ele disse que salvava a gente com o jantar. A Maria Izabel, esposa dele comandou um jantar da melhor qualidade e nos forneceu biscoitos, roscas e ovos caipira para o café do outro dia. Havia levado algumas coisas, mas completou legal e saímos bem alimentados.

O dia era de Travessia e fizemos da Serra dos Alves até o Cabeça de Boi com 27,79km, essa primeira parte com 1.033m de ganho e 1.149m de elevação máxima. Para quem não é de Minas e é praticante já com experiência, é a cereja do bolo. Trechos técnicos, trilha de gado, um sobe e desce fenomenal e visuais deslumbrantes.

Seguindo a caminho do povoado Cabeça de Boi sob “céu de brigadeiro”

Para os amantes do bom e velho mountain bike, esse é o lugar. Ali se conversa pouco sobre homens de montanhas pois o giro é intenso, muita atenção, rochas, cascalhos, floresta de samambaia, descida forte e aquele “céu de Brigadeiro”, azul, azul.

Em determinado trecho, estávamos descendo a cascalheira das “Posses”, quando o Jaime me informa que havia perdido a bateria do passador traseiro da bike dele. Embora ele tinha reserva, voltamos no lugar para ver se encontrava, mas sem sucesso. Retomamos o pedal e outro alerta, ele tinha perdido agora a roldana superior também do passador traseiro. Putz, e agora?

Na travessia da Serra dos Alves para Cabeca de Boi, vendo-se a cachoeira dos Borges

Voltamos novamente numa lua fuzilando e nada de encontrar. Foi quando ele improvisou uma gambiarra que funcionou até retornarmos ao destino inicial, que foi a Serra dos Alves. Colocou uma chave allen no parafuso onde se prende a roldana e finalizou com um “amarra gato” para não abrir a haste do passador e deu certo. (Foto da gambiarra).

Estávamos rodando de e-bike e com a assistência funcionou bem o esquema. Paramos na vila de Santana do Rio Preto, popularmente conhecida como Cabeça de Boi onde fizemos uma pausa para recarregar as bicicletas, havíamos levados os carregadores e também alimentar.

Pausa para o cafezinho

Fomos no Restaurante do Zé Candinho onde nos recebeu seu próprio Zé Cândido e sua família – e aquela comida fina que lhe é peculiar. Após o almoço, bikes carregadas e iniciamos a jornada de volta dessa vez subindo pela Mata Grande. Subida duríssima que foi rompida com sucesso.

Em seguida, rumamos para o Bom Jardim onde fizemos uma parada estratégica para um café na casa do Itamar, Dedeca, Joice e a Laura. Uma família que quando passei com grupo em Trans Espinhaço me recebeu com uma mesa farta.

Depois, tocamos para a Conquista, Tiá, Senhora do Carmo e enfim, a Serra dos Alves. Essa segunda perna do giro foram 41,18km de distância com 1.453m de ganho de elevação e 1.274m de elevação máxima.

Novamente, preparar a carga no carro e novo destino, agora rumamos para a Lapinha da Serra onde ficamos por quatro dias. Praticamente fizemos o Giro do Breu duas vezes. Lugares inóspitos, trilhas lindíssimas, campos rupestres a perder de vista e muita diversão, afinal, pedalar nesses lugares com esses foguetes com assistência é sensacional.

Fazenda Rio São João, em Bom Jesus do Amparo

Já voltando para o Mato Dentro, hora de receber o amigo Thiago Mendes e seu tio, o Leo Mendes. Thiago mora no Rio e o Leo em BH. Partimos da Fazenda Rio de São João em Bom Jesus do Amparo, fizemos o trecho passando pelo Amapá, Nova União e seguimos para a Prata.

Parada em um alambique para um aperitivo: “água que passarinho não bebe.”

Uma breve parada na Fazenda Germana onde puderam conhecer o novo restaurante e obviamente, o alambique. Trechos com um calor intenso que foi prontamente absorvido novamente pelos banhos nas cachoeiras da região.

Foram 63,68km com 1.795 de ganho de elevação e 1.029m de elevação máxima. No outro dia, o destino era apresentar a Cachoeira Alta, ou Cachoeira do Macuco, distrito de Ipoema, município de Itabira. Um trecho lindíssimo passando pelo Quebra Ossos e São José do Macuco.

Parada para um merecido e necessário descanso

Um receptivo turístico no Restaurante já na Cachoeira onde encontramos o Rogério, filho do falecido Sr. Onelvino Coelho, da Fazenda Cachoeira Alta. Um super banho numa queda de 110m que para a segurança de quem entra é fornecido um colete que funciona maravilhosamente bem para boiar e apreciar a incrível queda d’água gigante. Nesse giro foram 51,86km com 1.346m de ganho de elevação e 893 de elevação máxima. (Foto da Cachoeira).

Como o Leo tinha que retornar a BH, fizemos agora, o Thiago e eu, mais um ataque e novamente a Serra dos Alves onde a proposta era apresentar ao amigo, o Trans Espinhaço, que são travessias estruturadas de mountain bike que organizo.

Atravessando a pinguela natural carregando a bike

E assim fizemos, paramos o carro na Pousada Portal da Serra, do Chiquinho e subimos rompendo o Bongue. Na virada para a Serra dos Linhares pegamos a trilha até o alto da Mata Grande, no campo de futebol.

Novamente trilha até a casa do Itamar, no Bom Jardim e inacreditável o pão de queijo quentinho feito pela Joice e um suco natural de uva geladinho. Em seguida, tocamos pelo circuito: Conquista, Tiá, Senhora do Carmo e Serra dos Alves.

Ficam as lembranças, a memória dos trechos, dos caminhos e das trilhas que ficam bastante tempo na cabeça dos que ali pedalam. Lugares fantásticos para se conhecer de mountain bike, pessoas inesquecíveis pelo caminho e aquele gostinho de querer voltar logo.

Tem interesse em conhecer esses lugares? Faça contato.

*Antônio “Ticorico” é itabirano, empresário, proprietário da Pedal Verde Consultoria e Projetos há 30 anos, graduado em Marketing (UNA), co-autor do Guia Mineiro de Trilha, idealizador do Projeto Bikestation, e do evento Trans Espinhaço, Já participou de duas edições do Transalp Bike Chalenger entre Alemanha, Áustria, Suíça e Itália, e sete edições do Iron Bike Itália e 26 edições do Iron Biker Brasil. Organizador da Cipó Cup e Guia exclusivo do Rock Shox Explorer, no Cipó.

Contato: (31) 99506-8265

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