Dólar sustenta arrecadação da Cfem em 2025, apesar da queda no preço do minério

Foto: Carlos Cruz

Valorização da moeda americana compensa retração internacional e garante fôlego às receitas municipais

Entre janeiro e novembro de 2025, a cotação média da tonelada de minério de ferro (62% de teor) caiu 8,4% em relação ao mesmo período de 2024.

O recuo reflete um mercado mais cauteloso, marcado pela desaceleração da economia chinesa e ajustes na demanda global por commodities minerais.

Na direção oposta, o dólar registrou valorização média de 5,6% na média do período analisado.

Esse movimento cambial foi decisivo para amortecer os impactos da queda do minério sobre a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), os royalties do minério, que chegou a R$ 7,1 bilhões no período, acima dos R$ 6,8 bilhões de 2024.

Para a consultora econômica da Associação dos Municípios Minerados de Minas Gerais do Brasil (Amig-Brasil), Luciana Mourão, o câmbio foi determinante para o resultado.

“Mesmo com a redução expressiva do preço médio do minério, a valorização do dólar ajudou a preservar recursos fundamentais para os municípios mineradores”, afirma.

Cautela e planejamento

Apesar do aumento na arrecadação, Mourão alerta que o cenário exige prudência.

“A Cfem torna as administrações locais muito vulneráveis às oscilações do mercado internacional e do câmbio. É essencial planejar o uso desses recursos, fortalecer a gestão pública e investir em diversificação econômica”, ressalta.

A Amig Brasil reforça ainda que o crescimento da arrecadação não deve ser visto como garantia de estabilidade.

A entidade defende que os municípios minerados aproveitem o momento para estruturar políticas de longo prazo.

Segundo a consultora, o boletim econômico previsto para janeiro de 2026 deve trazer uma análise mais detalhada do comportamento do mercado ao longo de 2025, com projeções sobre tendências e riscos para o novo ano.

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