PSDB coloca o bloco na rua e derrota intenção de Aécio Neves de ter o partido apoiando a reeleição de Bolsonaro

Rafael Jasovich*

Enquanto o PT sonda Fernando Haddad e o PSOL praticamente definiu o nome de Guilherme Boulos para concorrer ao governo de São Paulo em 2022, o PSDB fechou posição em torno de Rodrigo Garcia, vice-governador em exercício, recém filiado ao partido.

Com isso a postura e as articulações do senador Aécio Neves (PSDB) de apoiar o capitão Jair Bolsonaro (sem partido) na sua tentativa de reeleição cai por terra

Geraldo Alckmin vai disputar o Senado Federal, tentando manter com o partido dos tucanos a vaga hoje ocupada por José Serra.

Doria, convencido de que seu nome está fortalecido por causa da Coronavac, não tem mais dúvida: vai se desincompatibilizar do cargo para disputar com Bolsonaro o apoio da direita.

Faltava definir como ficaria a sucessão no estado de São Paulo.

Garcia já costurou apoio da maioria dos partidos da centro-direita no estado. E terá o ex-prefeito da capital, Gilberto Kassab, dono do PSD, como coordenador central da campanha – Kassab provavelmente vai indicar o vice da chapa.

A disputa pelo governo de SP ano que vem tem tudo para ser quente.

Os tucanos, que controlam o Estado desde a década de 70, com Franco Montoro – exceção de um curto período em que o governo foi comandado pelo PMDB, com Quércia e Fleury, quer manter a hegemonia, enquanto os partidos de esquerda definitivamente entenderam que é preciso alertar para a necessidade de ocupação desse importante espaço de poder político.

PT e PSOL se inspiram no ‘cinturão democrático do Nordeste’, onde os governadores da região, unidos, formaram o único bloco efetivo de resistência ao fascismo incorporado por Bolsonaro e seus fanáticos de extrema direita.

A alternância de poder no principal estado da União seria uma quebra de paradigma no xadrez político do país, além de representar novos ares no Estado.

Passou da hora de alguém substituir os tucanos, abrir as cortinas do Bandeirantes, acabar com a pasmaceira cumpliciada com a velha imprensa e deixar o sol entrar.

São Paulo merece experimentar a alternância de poder, mola propulsora da democracia.

Agora é só aguardar.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

 

 

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